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Arqueólogo estranha linhas em imagens de satélite, vai até o local e descobre uma fortaleza de 3 mil anos com 1,4 km de muralhas que pode ser uma capital perdida
Estrutura no leste da Turquia ocupa área equivalente a 17 campos de futebol e pode ser Arzashkun, cidade do rei Arame destruída pelos assírios em 856 a.C.
Um arqueólogo turco encontrou, por imagens de satélite, uma fortaleza de 3 mil anos com cerca de 120 mil metros quadrados perto do vilarejo de Mescidli, na província de Muş, no leste da Turquia. A construção pode ser Arzashkun, a capital do rei Arame, do antigo reino de Urartu. A cidade aparece em registros históricos, mas a arqueologia nunca conseguiu localizá-la.
Quem fez a descoberta foi Melik Mirbey Ömeroğlu. Ao analisar imagens de satélite da região, ele reparou em linhas e formas que não combinavam com o relevo natural e foi até lá conferir. No local, encontrou os restos de uma grande estrutura de defesa, que batizou de “Dev Kale”, algo como “fortaleza gigante” em turco.
O jornal Türkiye Today foi o primeiro a divulgar o achado. Depois vieram os sites especializados HeritageDaily, em agosto de 2026, e Arkeonews, em outubro. Não foi informado quais imagens ele usou nem quando fez a visita.
O que tem dentro da fortaleza?
A fortaleza ocupa cerca de 12 hectares, área equivalente a 17 campos de futebol. Em volta dela há cerca de 1,4 km de muralhas, que ainda chegam a 2 metros de altura pelo lado de dentro e a 4 metros pelo lado de fora.
Os muros seguem a técnica conhecida como ciclópica e poligonal, com enormes blocos de pedra de formato irregular encaixados uns nos outros sem argamassa.
Na parte norte há vestígios de outras construções. No lado sul fica uma estrutura circular de pedra com cerca de 25 metros de raio. Para que ela servia ainda é um mistério, mas talvez fosse usada para guardar ou controlar a água.

Os 3 mil anos são uma estimativa. Ömeroğlu chegou a esse número comparando a fortaleza com outras duas do início da Idade do Ferro na região de Van: Aşağı Anzaf e Zivistan, no distrito de Edremit. Nenhum exame de datação científica foi feito até agora.
Por que ela pode ser uma capital perdida?
O sítio fica perto de rotas ligadas à expansão para o oeste do reino de Urartu. O reino viveu seu auge entre os séculos 9 e 7 a.C. e tinha como centro o lago de Van.
Para o arqueólogo, a fortaleza pode ser Arzashkun, a cidade do rei Arame. Ela só é conhecida pelos registros do rei assírio Salmanaser III, que a apontam como capital de Arame e contam como ela foi destruída numa campanha militar em 856 a.C.
Detalhes da fortaleza gigante descoberta na Turquia
Entenda as características da estrutura que pode ser a capital perdida de Urartu.
Situada em Muş, a fortificação ocupa 120 mil metros quadrados, o equivalente a cerca de 17 campos de futebol.
As muralhas utilizam a técnica ciclópica, com blocos de pedra gigantes encaixados perfeitamente sem o uso de argamassa.
O arqueólogo acredita tratar-se de Arzashkun, a primeira capital do rei Arame, citada apenas em registros assírios.
A confirmação depende de escavações sistemáticas e análise de cerâmicas para realizar a datação precisa do local.
Arame não deixou nenhuma inscrição conhecida, e ninguém jamais descobriu onde ficava Arzashkun. Por isso a cidade é um mistério tão grande. Ela existiu antes de Tushpa, a atual Van, que mais tarde o rei Sarduri I transformaria no grande centro político do reino.
O que falta para confirmar?
O próprio Ömeroğlu diz que ainda é cedo para cravar: “nenhuma identificação poderá ser feita sem escavações e pesquisas sistemáticas”. Ele já pediu ao conselho regional de Van que o sítio seja registrado e protegido.
Nenhuma escavação foi anunciada. Os próximos passos podem incluir levantamentos no terreno, análise de pedaços de cerâmica e datação por carbono 14. Mas só uma inscrição em pedra permitiria saber com certeza quem ergueu a fortaleza.