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“Bomba atômica” e “terremoto político”: imprensa internacional repercute caso Vorcaro e Moraes

Imprensa internacional repercute crise no STF; jornais destacam impacto político às vésperas das eleições

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Foto: Divulgação Carlos Moura/SCO/STF

A imprensa internacional classificou como “bomba atômica” e “terremoto político” as revelações sobre mensagens trocadas entre o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, e um número atribuído ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. As conversas, divulgadas pelo jornal O Estado de S. Paulo, sugerem que Moraes teria discutido com Vorcaro a operação policial que levaria à prisão do banqueiro e orientado a estratégia para frustrar o cumprimento do mandado.

Dois dias antes de ser preso, em 15 de novembro de 2025, Vorcaro teria enviado ao contato atribuído a Moraes a pergunta: “Acha que segunda já tenho que estar fora?”. As mensagens também indicam que o banqueiro pediu ao ministro que intercedesse junto ao diretor da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e ao procurador-geral da República, Paulo Gonet.

Daniel Vorcaro. Crédito: Reprodução/Divulgação

Impacto nas eleições presidenciais de outubro

O jornal espanhol El País foi um dos primeiros a repercutir o caso, afirmando que as informações “caíram como uma bomba atômica a menos de cinco semanas das eleições”. A publicação lembrou que suspeitas sobre a relação entre Moraes e Vorcaro já circulavam desde que o escritório da esposa do ministro foi apontado como contratado pelo banqueiro, e acrescentou que Moraes “tem mantido um perfil discreto” desde então. O El País destacou ainda a disputa interna no tribunal, apontando que o ministro André Mendonça, quem liberou o sigilo das mensagens, e Moraes “estão envolvidos numa luta silenciosa pelo poder dentro do tribunal há meses”.

O jornal argentino Clarin focou na proximidade com a corrida eleitoral, observando que as revelações emergem “em meio à campanha para as eleições presidenciais de 4 de outubro, que se configuram como uma disputa direta entre Lula e o senador Flávio Bolsonaro”. O El País também situou Bolsonaro no centro do caso, ressaltando que o banqueiro preso “teria lhe dado US$ 10 milhões, supostamente para financiar uma cinebiografia sobre seu pai”.

STF no centro do escândalo, segundo imprensa argentina

Compatriota do Clarin, o jornal La Nacion foi mais enfático: “Um terremoto político e institucional está abalando os alicerces do Supremo Tribunal Federal do Brasil”. A publicação descreveu Moraes como “o juiz mais poderoso do país e relator do julgamento da tentativa de golpe de 2023” e afirmou que o impacto das revelações “é sísmico devido ao próprio peso” do ministro. Com o caso nas mãos do plenário, o La Nacion avalia que Moraes enfrenta “o teste mais difícil contra o seu próprio gabinete”.

A agência Bloomberg destacou que os novos documentos “colocaram Moraes novamente no centro de um caso que já havia ameaçado a credibilidade da mais alta corte do Brasil”. A agência observou que as revelações levaram opositores do ministro “a renovar os pedidos por seu afastamento do tribunal” e contextualizou: Moraes “ganhou destaque durante embates com o bilionário da tecnologia Elon Musk e com o ex-presidente Jair Bolsonaro” e desempenhou papel central na condenação de Bolsonaro pela acusação de tramar um golpe após a derrota eleitoral de 2022.