Em 1850, mais de 3mil ovelhas foram deixadas em uma ilha isolada do Atlântico e, mais de 170 anos depois, seus descendentes ainda sobrevivem livres entre montanhas e ventos fortes - Super Rádio Tupi
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Em 1850, mais de 3mil ovelhas foram deixadas em uma ilha isolada do Atlântico e, mais de 170 anos depois, seus descendentes ainda sobrevivem livres entre montanhas e ventos fortes

Rebanho britânico desenvolve adaptação rara em praia de Orkney.

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Em 1850, mais de 3mil ovelhas foram deixadas em uma ilha isolada do Atlântico e, mais de 170 anos depois, seus descendentes ainda sobrevivem livres entre montanhas e ventos fortes
Ovelhas da raça North Ronaldsay pastando na faixa costeira de pedras da ilha escocesa. - Imagem ilustrativa criada por inteligência artificial.

Na isolada ilha de North Ronaldsay, situada no arquipélago de Orkney na Escócia, um rebanho fascinante sobrevive em condições costeiras severas. Confinadas ao litoral, essas ovelhas desenvolveram a capacidade de se alimentar de algas marinhas durante quase todo o ano.

Como o muro de pedra isolou o rebanho em North Ronaldsay?

No início da década de 1830, os moradores locais construíram uma extensa barreira de pedras ao redor de toda a ilha. O objetivo era reservar terras férteis do interior para a agricultura, empurrando o gado ovino para a praia.

Conhecido como sheepdyke, essa estrutura circular envolve quase todo o perímetro costeiro do território. Sem acesso aos pastos tradicionais de grama, as populações de animais precisaram encontrar novas alternativas nutricionais para garantir sua sobrevivência diária no litoral batido pelos ventos do Atlántico.

Destaques
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O confinamento histórico em North Ronaldsay gerou transformações surpreendentes na biologia dos animais.

1

Construção de um muro de pedra na faixa costeira em 1832.

2

Adaptação biológica completa para digerir algas marinhas.

3

Preservação de uma raça ovina rústica e ancestral na Escócia.

Por que essas ovelhas passaram a comer algas marinhas?

Forçadas a viver na faixa rochosa da praia, as ovelhas não tinham vegetação terrestre suficiente para consumo. A abundância de plantas marinhas trazidas pelas marés passou a ser a principal fonte de nutrientes disponível para sustentar o rebanho isolado nessa ilha.

Com o passar das gerações, os animais aprenderam os horários das marés para pastar pedras abaixo. Essa alteração drástica na dieta permitiu que a espécie se mantivesse forte e populosa, adaptando completamente seu comportamento ao ecossistema marinho da região escocesa ao longo dos séculos.

Em 1850, mais de 3mil ovelhas foram deixadas em uma ilha isolada do Atlântico e, mais de 170 anos depois, seus descendentes ainda sobrevivem livres entre montanhas e ventos fortes
Detalhamento do muro de pedra sheepdyke na orla marítima de North Ronaldsay em dia nublado. – Imagem ilustrativa criada por inteligência artificial.

Quais transformações orgânicas garantiram a sobrevivência do grupo?

A transição de pastagem exigiu profundas modificações no sistema digestivo dos ovinos. As algas marinhas possuem alta concentração de minerais e elementos que seriam tóxicos para raças comuns, mas esse grupo desenvolveu uma fisiologia especial extremamente eficiente no metabolismo do cobre.

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Adaptação Digestiva Única

Evolução surpreendente na costa escocesa

O organismo dessas ovelhas ajustou-se para processar quantidades elevadas de sais e minerais presentes na vegetação marinha diariamente.

Essa característica biológica torna o rebanho vulnerável caso consuma pasto comum enriquecido com cobre em excesso.

Estudos biológicos indicam que o rúmen dessas ovelhas desenvolveu microorganismos específicos para converter a matéria orgânica das algas em energia de forma eficiente. Essa particularidade fisiológica garante a manutenção do rebanho em um ambiente adverso e sem pastagem terrestre tradicional durante todo o ano.

Entre os fatores que explicam a sobrevivência desse grupo destacado, sobressaem-se os seguintes aspectos principais:

  • Capacidade de processar minerais marinhos sem intoxicação.
  • Microbiota intestinal adaptada à digestão de fibras de algas.
  • Sincronização dos hábitos alimentares com os ciclos de maré.

De que maneira o muro sheepdyke preservou essa tradição local?

Construído com pedras sobrepostas sem uso de argamassa, o muro sheepdyke possui dezenas de quilômetros de extensão. Ele funciona como uma barreira física permanente, impedindo que os ovinos cruzem para áreas agrícolas e garantindo a manutenção do hábito de pastoreio na faixa de maré.

Além da proteção do rebanho, a manutenção constante dessa muralha passou a ser uma tradição comunitária fundamental para a população local. A estrutura histórica atrai pesquisadores do mundo inteiro interessados na conservação de métodos tradicionais de manejo e na proteção da biodiversidade da ilha.

A importância do muro para a comunidade local envolve diversos pilares relevantes:

  • Preservação do isolamento genético da raça ancestral.
  • Proteção das lavouras do interior contra o pastoreio.
  • Manutenção do patrimônio arquitetônico e histórico comunitário.
Em 1850, mais de 3mil ovelhas foram deixadas em uma ilha isolada do Atlântico e, mais de 170 anos depois, seus descendentes ainda sobrevivem livres entre montanhas e ventos fortes
Rebanho de ovelhas se alimentando de algas marinhas na praia durante a maré baixa. – Imagem ilustrativa criada por inteligência artificial.

Qual é o papel atual da Orkney Sheep Foundation na ilha?

Criada para proteger a raça e conservar esse patrimônio, a Orkney Sheep Foundation atua na recuperação do muro de pedra. A instituição mobiliza voluntários e recursos para manter as estruturas seguras contra as fortes tempestades que atingem o litoral escocês frequentemente no inverno.

O trabalho contínuo da fundação é crucial para garantir a sobrevivência dessa espécie rara e seu ecossistema. Por meio da conscientização e apoio científico, a entidade assegura que a herança genética e cultural das ovelhas permaneça viva para as futuras gerações de moradores.