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Em 1869, apenas 100 ovelhas foram levadas para uma ilha do México e, décadas depois, milhares delas destruíram parte da vegetação e mudaram o equilíbrio natural do local

Uma ilha recebeu cerca de 100 ovelhas e gerações depois perdeu mais de 2 mil hectares de vegetação nativa

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Em 1869, apenas 100 ovelhas foram levadas para uma ilha do México e, décadas depois, milhares delas destruíram parte da vegetação e mudaram o equilíbrio natural do local
O pastoreio excessivo ajudou a degradar mais de 2 mil hectares de vegetação nativa

A ilha Socorro, no México, recebeu cerca de 100 ovelhas em 1869. Nas décadas seguintes, o rebanho se multiplicou e passou a pressionar a vegetação nativa, deixando marcas no solo e nos habitats de espécies locais. O caso mostra como um animal comum na criação rural pode provocar danos extensos quando introduzido em um ecossistema isolado.

Como as ovelhas se multiplicaram na ilha Socorro?

Os animais foram levados para criação e acabaram vivendo de forma asselvajada, sem depender do manejo humano. Na ausência de predadores naturais capazes de controlar o rebanho, a população cresceu. Registros citados pelos pesquisadores estimam que havia aproximadamente 5 mil ovelhas em 1960, quase um século depois da introdução.

O problema se acumulou ao longo das gerações. Milhares de animais consumiam plantas e circulavam repetidamente pelas mesmas áreas. O pastoreio prolongado por herbívoros invasores pode reduzir cobertura vegetal e favorecer erosão em ecossistemas insulares, como resume a Environmental Conservation. A vegetação precisava repor folhas, produzir sementes e formar novas mudas enquanto continuava submetida ao pastoreio. Em trechos mais afetados, essa renovação ficou comprometida.

Por que o pastoreio causou tanta perda de vegetação?

As ovelhas alteravam o ambiente tanto pela alimentação quanto pelo pisoteio. Um estudo publicado em 2016 na revista Forests descreveu a perda de mais de 2 mil hectares de vegetação nativa, associada ao pastoreio excessivo e à erosão. Os danos envolviam diferentes processos:

  • Consumo repetido de folhas e brotos, reduzindo a cobertura das plantas;
  • Destruição de mudas, dificultando a substituição dos exemplares mais velhos;
  • Compactação do solo nas trilhas e nos locais de descanso dos animais;
  • Remoção da camada de folhas acumuladas sobre a superfície, deixando o terreno mais exposto.
Em 1869, apenas 100 ovelhas foram levadas para uma ilha do México e, décadas depois, milhares delas destruíram parte da vegetação e mudaram o equilíbrio natural do local
O pastoreio excessivo ajudou a degradar mais de 2 mil hectares de vegetação nativa

Como as chuvas agravaram a erosão do solo?

A localização da ilha Socorro, no Pacífico, acrescentava outro fator ao problema: a passagem de tempestades tropicais. Com menos cobertura vegetal, as chuvas intensas encontravam áreas vulneráveis ao escoamento superficial. A água carregava partículas do solo e aprofundava canais de erosão.

Esse processo dificultava a recuperação das plantas. A perda de solo retirava parte do suporte necessário ao estabelecimento de novas raízes. Assim, o impacto das ovelhas continuava além da vegetação consumida: o terreno degradado oferecia condições piores para a geração seguinte de plantas.

O que aconteceu com os animais nativos?

A degradação dos habitats afetou a fauna de uma ilha com espécies endêmicas, encontradas naturalmente apenas naquela região. Além das ovelhas, gatos asselvajados pressionavam aves e lagartos. Para compreender os danos, é necessário distinguir os efeitos desses animais introduzidos:

  • As ovelhas modificavam a vegetação e as condições físicas dos habitats;
  • Os gatos exerciam pressão direta de predação sobre a fauna local;
  • A combinação de ameaças dificultava a conservação de espécies com distribuição restrita;
  • A recuperação exigia enfrentar tanto a degradação ambiental quanto a presença de predadores introduzidos.
Em 1869, apenas 100 ovelhas foram levadas para uma ilha do México e, décadas depois, milhares delas destruíram parte da vegetação e mudaram o equilíbrio natural do local
O pastoreio excessivo ajudou a degradar mais de 2 mil hectares de vegetação nativa

Como foi realizada a retirada das ovelhas?

Entre 2009 e 2012, um programa de erradicação combinou operações aéreas e terrestres. Segundo o relato técnico dos responsáveis, 1.762 animais foram abatidos. As equipes também utilizaram cães treinados e ovelhas com transmissores para localizar grupos remanescentes. O objetivo era eliminar a população asselvajada, encerrando a pressão contínua sobre a vegetação.

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A vegetação voltou, mas a recuperação precisava ser acompanhada

Após a erradicação, pesquisadores documentaram a retomada espontânea da cobertura vegetal e melhorias em características do solo. O estudo de 2016 comparou imagens de satélite de 2008 e 2013, além de realizar avaliações em campo. Os resultados mostraram que áreas degradadas ainda conservavam capacidade de regeneração quando o pastoreio deixava de impedir o crescimento das plantas.

O retorno do verde não equivale à restauração completa do ecossistema. Também era necessário observar quais espécies ocupavam o terreno e como os habitats se reorganizavam. Na ilha Socorro, retirar as ovelhas interrompeu uma fonte persistente de degradação. A conservação passou a depender do acompanhamento da vegetação, do solo e das demais ameaças à fauna nativa.