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Em 1942, a Grã-Bretanha planejou construir um porta-aviões de 610 metros feito de gelo para combater submarinos alemães durante a Segunda Guerra Mundial

Britânicos planejam porta-aviões de gelo de 610 metros para combater submarinos na Segunda Guerra Mundial

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Em 1942, a Grã-Bretanha planejou construir um porta-aviões de 610 metros feito de gelo para combater submarinos alemães durante a Segunda Guerra Mundial
O Projeto Habakkuk previa um gigantesco porta-aviões de gelo reforçado com polpa de madeira (Imagem ilustrativa criada por inteligência artificial)

O Projeto Habakkuk nasceu em 1942, durante a Segunda Guerra Mundial, com uma proposta: construir um gigantesco porta-aviões usando gelo reforçado com polpa de madeira. A estrutura teria aproximadamente 610 metros de comprimento e serviria como base aérea no Atlântico. Seu objetivo era ampliar a proteção dos comboios aliados contra os submarinos alemães que ameaçavam o abastecimento britânico.

Por que os britânicos consideraram construir uma base aérea de gelo?

O problema estava no Atlântico central, onde os aviões aliados baseados em terra tinham dificuldades para manter cobertura contínua. Nessa área, os submarinos alemães, conhecidos como U-boats, atacavam embarcações que transportavam alimentos e material militar. O Projeto Habakkuk buscava colocar uma pista flutuante mais perto das rotas marítimas, permitindo ampliar a atuação da aviação de patrulha.

A proposta foi defendida pelo pesquisador Geoffrey Pyke e recebeu apoio de Lord Louis Mountbatten, chefe de Operações Combinadas. Em dezembro de 1942, Winston Churchill autorizou pesquisas para avaliar sua viabilidade. Os planos chegaram a prever uma embarcação com cerca de 610 metros de comprimento e 90 metros de largura, construída para funcionar como uma enorme instalação aérea sobre o oceano.

Em 1942, a Grã-Bretanha planejou construir um porta-aviões de 610 metros feito de gelo para combater submarinos alemães durante a Segunda Guerra Mundial
O Projeto Habakkuk previa um gigantesco porta-aviões de gelo reforçado com polpa de madeira (Imagem ilustrativa criada por inteligência artificial)

Como o pykrete tornaria a estrutura mais resistente?

O pykrete era uma mistura congelada de água e polpa de madeira. As fibras melhoravam o comportamento do gelo, aumentando sua resistência e retardando o derretimento. O material precisava trabalhar em conjunto com isolamento e refrigeração. Para transformá-lo em uma estrutura naval, os pesquisadores consideravam características como:

  • Maior resistência a impactos em comparação com o gelo comum;
  • Possibilidade de moldar e cortar o material durante a construção;
  • Derretimento mais lento, favorecido pela presença das fibras;
  • Necessidade de controlar a temperatura para preservar suas propriedades;
  • Instalação de equipamentos para manter a estrutura congelada.

O protótipo chegou a ser construído no Canadá?

Sim. O Projeto Habakkuk avançou para uma experiência no lago Patricia, próximo de Jasper, na província canadense de Alberta. Em 1943, foi construído um modelo experimental de gelo com aproximadamente 18 metros de comprimento, nove metros de largura e mil toneladas. A estrutura tinha uma cobertura e aparência semelhante à de uma garagem para barcos.

O experimento demonstrou que uma plataforma de gelo podia permanecer flutuando durante o verão, com auxílio de refrigeração. O teste era muito menor que o porta-aviões previsto nos planos. Construir o navio completo exigiria resolver outros problemas: distribuir o resfriamento por uma estrutura imensa, acomodar instalações e garantir condições de operação para aeronaves no Atlântico.

Em 1942, a Grã-Bretanha planejou construir um porta-aviões de 610 metros feito de gelo para combater submarinos alemães durante a Segunda Guerra Mundial
O Projeto Habakkuk previa um gigantesco porta-aviões de gelo reforçado com polpa de madeira (Imagem ilustrativa criada por inteligência artificial)

Por que o porta-aviões gigante acabou abandonado?

As avaliações mostraram que produzir e conservar tamanha quantidade de pykrete exigiria recursos consideráveis. A expectativa de construir rapidamente uma base flutuante barata perdeu força diante das necessidades reais de engenharia. Ao mesmo tempo, outras soluções militares começaram a reduzir a importância da proposta. Entre os obstáculos estavam:

  • Uma extensa rede de tubulações e equipamentos de refrigeração;
  • Consumo de grandes quantidades de polpa de madeira;
  • Custos e prazos incompatíveis com as expectativas iniciais;
  • Aviões de patrulha com maior alcance;
  • Melhorias nos radares, nas escoltas navais e no acesso a bases aéreas.

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Os 610 metros ficaram nos planos, mas a experiência deixou vestígios

O projeto perdeu força ao longo de 1943 e foi abandonado sem produzir um porta-aviões operacional. O modelo do lago Patricia permaneceu no local, derreteu e afundou. Tubulações e outros materiais ficaram no fundo do lago, enquanto uma placa nas margens passou a recordar a experiência. São vestígios concretos de uma proposta que recebeu atenção nos níveis mais altos do comando aliado.

O Projeto Habakkuk mostra como a ameaça aos comboios levou britânicos e canadenses a investigar materiais incomuns para a engenharia naval. A resistência do pykrete não resolveu os custos e a complexidade do navio. Quando a cobertura aérea e a defesa antissubmarino melhoraram por outros caminhos, a construção da gigantesca pista refrigerada deixou de oferecer a vantagem militar esperada.