Em 1954, uma mulher cochilava no sofá de casa nos Estados Unidos quando uma pedra atravessou o telhado e a atingiu: ela é a única pessoa com registro confirmado de ter sido acertada por um meteorito - Super Rádio Tupi
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Em 1954, uma mulher cochilava no sofá de casa nos Estados Unidos quando uma pedra atravessou o telhado e a atingiu: ela é a única pessoa com registro confirmado de ter sido acertada por um meteorito

A rocha de 3,9 kg furou o telhado, bateu num rádio e acertou o quadril da moradora antes de virar peça de museu na Universidade do Alabama

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Ann Hodges foi atingida por um meteorito dentro de casa em 30 de novembro de 1954
Ann Hodges foi atingida por um meteorito dentro de casa em 30 de novembro de 1954 - Imagem ilustrativa criada por inteligência artificial

Na tarde de 30 de novembro de 1954, Ann Hodges tirava um cochilo no sofá da sala, perto de Sylacauga, no Alabama, quando uma pedra vinda do espaço furou o telhado e a acertou. A americana entrou para a história como a única pessoa com registro documentado de ter sido atingida por um meteorito. No fim deste mês, o caso completa 72 anos, e a rocha continua sob a guarda do Museu de História Natural do Alabama.

O que aconteceu na casa de Ann Hodges em Sylacauga?

A pedra atravessou o teto da casa alugada, bateu num rádio de móvel e atingiu o quadril da moradora. Segundo a Enciclopédia do Alabama, a rocha pesava cerca de 3,9 quilos. A casa ficava numa área vizinha à cidade, que depois virou o município de Oak Grove.

O médico Moody Jacobs examinou a vítima e encontrou o quadril e a mão inchados e doloridos, mas sem lesão grave. Mesmo assim, ela passou alguns dias internada, abalada tanto pelo susto quanto pela pancada.

Por que o caso de Ann Hodges é considerado único no mundo?

É o único relato documentado de uma pessoa atingida por um meteorito, segundo a Universidade do Alabama. A geoquímica Julia Cartwright, da instituição, estima que cerca de 78 mil toneladas de material espacial chegam à Terra por ano. Quase tudo é pequeno demais para alguém notar.

A pedra de cerca de 3,9 quilos bateu num rádio antes de atingir o quadril de Ann
A pedra de cerca de 3,9 quilos bateu num rádio antes de atingir o quadril de Ann – Imagem ilustrativa criada por inteligência artificial

A pedra que acertou Ann Hodges não caiu sozinha. Em 1º de dezembro, o agricultor Julius K. McKinney achou um segundo fragmento e o vendeu ao Smithsonian, em Washington. Oficialmente, os dois pedaços formam o Meteorito de Sylacauga, e a peça que atingiu a moradora ganhou, informalmente, o nome dela.

Quem gosta de acompanhar as rochas espaciais que rondam o planeta tem mais história para ler. A Super Rádio Tupi já contou a passagem de um asteroide bem perto da Terra.

Quem ficou com a pedra depois da queda do meteorito?

A pedra ficou com Ann, mas só depois de uma disputa. Primeiro, oficiais da Força Aérea levaram a rocha para análise, e ela foi parar no Smithsonian. Os curadores só a devolveram depois que o deputado Kenneth Roberts interveio.

Em seguida, a dona do imóvel, Birdie Guy, processou a família, alegando que meteoritos pertencem ao dono do terreno. A briga durou cerca de um ano e terminou num acordo particular. Sem comprador à vista, Ann doou a pedra em 1956 ao museu da Universidade do Alabama.

Do que é feito o meteorito de Sylacauga e de onde ele veio?

A rocha é um condrito do tipo H, com cerca de 4,5 bilhões de anos. Segundo Julia Cartwright, meteoritos assim costumam vir do cinturão de asteroides, entre Marte e Júpiter, lançados por colisões.

O meteorito tem cerca de 4,5 bilhões de anos e integra o acervo do Museu de História Natural do Alabama
O meteorito tem cerca de 4,5 bilhões de anos e integra o acervo do Museu de História Natural do Alabama – Imagem ilustrativa criada por inteligência artificial

A peça virou relíquia científica. Em 2018, foi emprestada ao Museu de História Natural de Paris, com seguro avaliado em mais de 1 milhão de dólares.

O canal oficial dos museus da universidade gravou uma entrevista com a pesquisadora. No vídeo, Cartwright fala sobre o Meteorito de Sylacauga e sobre o trabalho dela com a rocha.

Onde dá para ver hoje a pedra que atingiu Ann Hodges?

A pedra continua no acervo do Museu de História Natural do Alabama, no campus da universidade, em Tuscaloosa. Em 22 de maio de 2010, Oak Grove inaugurou um marco histórico no local da queda, e o museu emprestou o meteorito à cidade por um dia.

A história mostra que o céu ainda guarda surpresas, mas também que um caso assim é raríssimo. Quem pretende visitar o museu deve conferir horários no site oficial. E se você curte histórias como essa, fica com a gente, que aqui na Tupi sempre tem mais uma para contar.

Por falar em mistérios das rochas, outra história intrigante vem da Sibéria. Um estudo recente revisou a origem de uma formação curiosa por lá.