Em 1971, geólogos decidiram atear fogo numa cratera de gás no deserto do Turcomenistão para que ela queimasse em poucos dias, e mais de 50 anos depois as chamas continuam acesas - Super Rádio Tupi
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Em 1971, geólogos decidiram atear fogo numa cratera de gás no deserto do Turcomenistão para que ela queimasse em poucos dias, e mais de 50 anos depois as chamas continuam acesas

Poço de cerca de 69 metros de largura no deserto de Karakum queima metano sem parar e já recebeu um explorador que desceu até o fundo em 2013

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A Cratera de Darvaza, no deserto de Karakum, queima gás natural há mais de 50 anos e é chamada de Porta do Inferno
A Cratera de Darvaza, no deserto de Karakum, queima gás natural há mais de 50 anos e é chamada de Porta do Inferno - Imagem ilustrativa criada por inteligência artificial

A Cratera de Darvaza, no Turcomenistão, é um buraco em chamas no meio do Deserto de Karakum. Ela virou símbolo de um erro de cálculo que nunca foi corrigido. A versão mais conhecida conta que, em 1971, técnicos soviéticos atearam fogo no gás que escapava do local para que ele se esgotasse em poucos dias. Mais de 50 anos depois, o fogo continua aceso e ganhou o apelido de Porta do Inferno.

Como a Cratera de Darvaza se formou no Deserto de Karakum?

A cratera nasceu de um desabamento durante a exploração de gás natural. Segundo o blog Earth Matters, da NASA, o caso aconteceu em 1971, quando o país ainda fazia parte da União Soviética. Uma sonda de perfuração rompeu uma caverna subterrânea, o chão cedeu e o buraco passou a soltar gases tóxicos.

Para evitar que o metano se espalhasse, a equipe decidiu queimar o gás. O registro do Guinness World Records para a cratera de metano que queima há mais tempo diz que cada geólogo envolvido esperava um fim rápido. A conta não fechou, porque o combustível guardado no subsolo era muito maior.

Em 1971, uma sonda rompeu uma caverna subterrânea e a equipe ateou fogo ao gás para evitar que o metano se espalhasse
Em 1971, uma sonda rompeu uma caverna subterrânea e a equipe ateou fogo ao gás para evitar que o metano se espalhasse – Imagem ilustrativa criada por inteligência artificial

A data, porém, não é unanimidade. Geólogos turcomenos ouvidos pelo explorador canadense George Kourounis disseram que o desabamento pode ter ocorrido nos anos 1960, com o fogo aceso só nos anos 1980. Sem documentos oficiais da época tornados públicos, 1971 segue como a data mais citada.

Os números ajudam a dimensionar o fenômeno. O quadro reúne dados do Guinness e de uma análise por satélite feita por pesquisadores americanos.

Raio-x da Porta do InfernoEM NÚMEROS
Principais dados da cratera de gás do Turcomenistão
Item Dado
Localização Campo de gás perto do vilarejo de Derweze
Largura Cerca de 69 metros
Profundidade Cerca de 30 metros
Temperatura por satélite Cerca de 1.224 kelvin, perto de 950 °C

Por que o gás natural da cratera nunca parou de queimar?

O fogo continua porque o metano segue vazando do subsolo em ritmo constante. A NASA explica que esse fluxo alimenta as chamas o tempo todo, e o buraco funciona como uma enorme tocha a céu aberto.

Uma análise do Instituto Payne, da Escola de Minas do Colorado, usou o sistema de satélites VIIRS Nightfire. A temperatura ficou estável, cerca de 400 graus abaixo de uma tocha comum de queima de gás, o que pode indicar combustão pouco eficiente. A série noturna também mostrou queda gradual na atividade.

Quem curte fenômenos de fogo na natureza tem outro destino curioso na Ásia. Na Indonésia, um vulcão brilha em azul à noite por causa de gases que pegam fogo.

O que a expedição de 2013 revelou no fundo da cratera?

A descida mostrou que até um poço em chamas abriga vida. Em 2013, Kourounis se tornou o primeiro a chegar ao fundo, segundo o registro do Guinness sobre a primeira exploração da cratera. Ele usou roupa de alumínio com isolamento térmico e cinto de escalada de Kevlar.

Em 2013, George Kourounis chegou ao fundo da cratera e amostras de rocha revelaram bactérias vivendo no calor extremo
Em 2013, George Kourounis chegou ao fundo da cratera e amostras de rocha revelaram bactérias vivendo no calor extremo – Imagem ilustrativa criada por inteligência artificial

Lá embaixo, o explorador coletou amostras de rocha. Testes em laboratório encontraram bactérias vivendo nesse material, num ambiente de calor extremo no coração do Karakum. A expedição teve apoio da National Geographic.

A Porta do Inferno do Turcomenistão vai se apagar um dia?

O fim das chamas depende do gás que ainda chega ao buraco. O governo turcomeno já anunciou mais de uma vez a intenção de apagar o fogo, citando danos ao meio ambiente e à saúde de quem vive na região. Em 2022, o então presidente Gurbanguly Berdimuhamedov pediu que as autoridades buscassem uma solução.

Enquanto isso, a Cratera de Darvaza segue como lembrete de que uma decisão pensada para poucos dias pode atravessar gerações. E você, encararia uma noite à beira dessa fogueira gigante no deserto? Conta pra gente aqui na Tupi.

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