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Em 1987, uma mulher nas Ilhas Shetland resgatou um filhote de foca abandonada e, quase 40 anos depois, seu santuário continua salvando focas órfãs

O santuário de Hillswick nasce de um gesto simples e ganha força com o tempo

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Em 1987, uma mulher nas Ilhas Shetland resgatou um filhote de foca abandonada e, quase 40 anos depois, seu santuário continua salvando focas órfãs
Um filhote de foca transforma a vida de Jan Bevington nas Ilhas Shetland

Em maio de 1987, Jan Bevington encontrou um filhote de foca doente e prematuro encalhado na praia perto de sua casa, nas Ilhas Shetland, no norte da Escócia. Sem saber o que fazer, ligou para conhecidos na Inglaterra e na Escócia atrás de orientação, e acabou mantendo o animal numa piscina de plástico no jardim da frente enquanto descobria os próximos passos. Até setembro daquele mesmo ano, ela já cuidava de sete filhotes. Quase quatro décadas depois, aquele gesto isolado se transformou no santuário de Hillswick, que segue resgatando focas órfãs até hoje.

Como começou o resgate que deu origem ao santuário?

A notícia do trabalho de Jan se espalhou rápido pela ilha, e em menos de um ano ela também passou a receber filhotes órfãos de lontra, além de chamados ocasionais para ajudar baleias, golfinhos e botos que ficavam presos em águas rasas perto da costa. O santuário de Hillswick nunca nasceu como projeto planejado; segundo a própria fundadora, ele simplesmente começou a existir a partir de um único resgate, sem qualquer intenção inicial de criar uma instituição permanente de conservação.

Por que o derramamento de óleo de 1993 marcou a história do santuário?

Um dos momentos mais decisivos na história do santuário aconteceu em 1993, quando o petroleiro Braer derramou 85 mil toneladas de óleo na costa de Shetland. Naquele período, a equipe cuidou de 40 focas e 11 lontras ao mesmo tempo, com centenas de voluntários ajudando na triagem, alimentação e cuidados diários dos animais afetados pelo desastre.

Como funciona o cuidado com focas e lontras órfãs?

O calendário de trabalho do santuário segue as estações do ano, já que cada espécie tem seu próprio período de nascimento e maior vulnerabilidade.

  • No verão, as focas-comuns dão à luz, e os filhotes recém-nascidos são os que mais chegam ao santuário nessa época
  • No inverno, as focas-cinzentas, maiores e mais selvagens, têm seus filhotes durante os meses de tempestade
  • Filhotes de lontra chegam o ano inteiro, geralmente órfãos após acidentes de trânsito nas estradas da ilha
  • As focas recebem uma papa de peixe caseira por sonda até conseguirem comer sozinhas, processo que costuma levar cerca de três meses
  • Os filhotes de lontra são alimentados com mamadeira antes de passar para sopa de peixe e depois peixe inteiro
Em 1987, uma mulher nas Ilhas Shetland resgatou um filhote de foca abandonada e, quase 40 anos depois, seu santuário continua salvando focas órfãs
Um filhote de foca transforma a vida de Jan Bevington nas Ilhas Shetland

Por que a poluição ainda ameaça as focas de Shetland?

Décadas depois daquele primeiro resgate, a poluição segue sendo uma das maiores ameaças às focas da região. Muitos animais chegam ao santuário desnutridos, depois de ingerir alimento e água contaminados por microplásticos e produtos químicos, enquanto outros apresentam ferimentos graves no pescoço causados por fitas plásticas ou redes de pesca nas quais ficaram presos.

Que reconhecimento o trabalho do santuário já recebeu?

O trabalho de décadas rendeu reconhecimento tanto local quanto internacional ao santuário e à sua fundadora.

  • Prêmios ambientais concedidos pelo Shetland Amenity Trust pelo trabalho com focas e lontras
  • Participação de animais resgatados em documentários, incluindo o programa Shetland Diaries, do naturalista Simon King
  • Prêmio de reconhecimento por trabalho de uma vida, recebido por Jan das mãos do Fundo Internacional para o Bem-Estar Animal
  • Financiamento de 450 mil libras para reforma das instalações, com bomba de água do mar e novo centro de visitantes

Quase quatro décadas depois, o santuário continua com a mesma missão

O santuário nunca deixou de operar com o mesmo princípio que guiou aquele primeiro resgate na piscina de plástico: resgatar, tratar e devolver os animais à natureza sempre que possível, sem tentar transformá-los em atrações permanentes.

Hoje, já na casa dos 70 anos, Jan continua o trabalho ao lado do marido, Pete, e de uma rede de voluntários espalhada pela costa de mais de 2.400 quilômetros das ilhas Shetland, provando que aquele gesto isolado de 1987 se tornou parte permanente da vida na região. O casal costuma dizer que o trabalho deles é, na prática, desfazer os danos causados pelo ser humano, devolvendo cada animal recuperado ao ambiente onde deveria estar desde o início.