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EUA e Israel atacam o Irã, que retalia com mísseis contra bases americanas

Explosões atingiram Teerã e outras quatro cidades; Trump diz que objetivo é destruir programa nuclear iraniano

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Ataque dos Estados Unidos e de Israel ao território do Irã. Foto: Reprodução

EUA e Israel atacaram o Irã neste sábado (28) em uma operação coordenada que provocou explosões em Teerã e em ao menos outras quatro cidades. Em resposta, o regime iraniano disparou mísseis e drones contra o território israelense e atacou bases militares americanas no Oriente Médio.

O presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou que o objetivo é destruir o programa nuclear iraniano. “Garantiremos que os representantes terroristas do regime não possam mais desestabilizar a região ou o mundo, e que o Irã não obtenha uma arma nuclear. Este regime aprenderá em breve que ninguém deve desafiar a força e o poder das forças armadas dos Estados Unidos”, disse Trump em vídeo divulgado nas redes sociais. O Pentágono classificou a operação como “fúria épica” e afirmou que a ação pode durar dias.

Base americana no Bahrein é atingida por mísseis

Após bombardeios realizados pelos EUA e Israel contra o Irã, as instalações da Quinta Frota dos Estados Unidos, localizadas no Bahrein, foram atingidas por mísseis neste sábado (28/2).

A Guarda Revolucionária do Irã confirmou a autoria da ofensiva e afirmou ter realizado ataques também contra bases no Catar e nos Emirados Árabes Unidos. Jornalistas relataram explosões ainda na Arábia Saudita.

Autoridades locais informaram que devem divulgar mais detalhes posteriormente. O episódio aumenta a tensão na região, que já vivia cenário de escalada militar nos últimos dias.

Líderes do Irã foram alvos dos ataques

Autoridades israelenses afirmaram que o aiatolá Ali Khamenei, líder supremo do Irã, e o presidente Masoud Pezeshkian foram alvos do ataque. Os resultados dessa ação ainda não estão claros, segundo a agência Reuters. Fontes disseram à mesma agência que Khamenei não estava em Teerã no momento do ataque, sem que seu paradeiro fosse divulgado. A agência estatal iraniana IRNA informou que Pezeshkian está em segurança.

Mísseis atingiram áreas próximas ao palácio presidencial e instalações usadas pelo líder supremo na capital. Explosões também foram registradas nas cidades de Isfahan, Qom, Karaj e Kermanshah, em diferentes regiões do país. O espaço aéreo iraniano foi fechado. Segundo agências iranianas, 40 estudantes de uma escola de meninas no sul do país morreram durante o ataque. O Exército israelense afirmou ter atingido “centenas de alvos militares iranianos”, incluindo lançadores de mísseis.

Na retaliação, o Irã disparou mísseis e drones contra Israel, onde sirenes de alerta foram acionadas. Explosões foram registradas em países vizinhos com bases americanas, como Catar, Bahrein, Kuwait, Jordânia e Emirados Árabes Unidos. Os Emirados informaram ter interceptado vários mísseis iranianos e que uma pessoa morreu na capital Abu Dhabi. Uma explosão também foi ouvida em Dubai, segundo testemunhas.

Trump ainda incentivou a população iraniana a pressionar pela queda do regime e instou militares do país a se renderem, afirmando que, caso contrário, iriam “enfrentar a morte certa”. O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, declarou que a operação busca “eliminar a ameaça existencial representada pelo regime terrorista no Irã” e que a ação “criará condições para que o povo iraniano tome as responsabilidades do seu destino”.

Negociações foram abandonadas dias antes do ataque

A operação ocorreu dias após uma rodada de negociações entre Washington e Teerã. A última reunião havia acontecido na quinta-feira (26), em Genebra, onde os enviados americanos avaliaram as conversas como positivas e marcaram um novo encontro para segunda-feira (2). Os EUA exigiam o fim do enriquecimento de urânio, a restrição do alcance dos mísseis balísticos iranianos e o encerramento do apoio a grupos armados no Oriente Médio. O Irã afirmava que o programa nuclear tem fins pacíficos e havia sinalizado disposição para reduzir o enriquecimento em troca do fim das sanções.

Nas semanas anteriores, os Estados Unidos ampliaram sua presença militar na região com o envio dos porta-aviões USS Abraham Lincoln e USS Gerald R. Ford, além de aeronaves para a Europa e Israel. Ao todo, os EUA controlam ao menos dez bases em países vizinhos ao Irã e mantêm tropas em outras nove. O Irã, por sua vez, realizou exercícios militares com Rússia e China, e imagens de satélite mostravam que o país havia reforçado e camuflado suas instalações nucleares.

A pressão americana sobre o Irã ganhou força no início do ano, em meio a uma onda de protestos contra o regime de Khamenei, que respondeu com forte repressão e deixou milhares de manifestantes mortos. Trump havia ameaçado ação militar caso a “matança” continuasse, mas os protestos enfraqueceram diante da repressão. O presidente passou então a exigir um acordo nuclear, dando início às negociações. Por volta do dia 20 de fevereiro, novos protestos eclodiram no país, desta vez protagonizados por estudantes no retorno do semestre, e o governo voltou a advertir os manifestantes a não ultrapassarem “limites”.

O Irã já enfrentava grave crise econômica, impactado pela reimposição de sanções americanas em 2018, quando Trump abandonou o acordo nuclear internacional. Ao retornar à Casa Branca, em janeiro de 2025, Trump retomou a política de pressão máxima. Em setembro, sanções das Nações Unidas agravaram ainda mais a situação. A inflação superava 40% ao ano, e o rial iraniano perdeu cerca de metade do valor em relação ao dólar somente em 2025, atingindo mínima histórica. No fim de dezembro, o presidente do Banco Central do Irã havia renunciado ao cargo após pressões sobre a moeda local. A desigualdade e denúncias de corrupção alimentavam o descontentamento da população.

Essa é a segunda vez em menos de um ano que os EUA atacam o Irã. Em junho de 2025, uma operação norte-americana bombardeou estruturas nucleares iranianas em apoio a Israel, resultando em um contra-ataque limitado e em um acordo de cessar-fogo. As tensões entre os dois países remontam à Revolução Islâmica de 1979, e se aprofundaram em 2020, quando o governo Trump ordenou a operação que resultou na morte do general Qassem Soleimani, principal figura da estratégia militar iraniana. O acordo nuclear de 2015, firmado durante o governo Obama, havia representado uma trégua, mas foi abandonado por Trump dois anos depois, com a retomada das sanções econômicas.