Mundo
Galo passa oito anos em vigília na porta de hospital onde o dono morreu
Comparado a Hachiko, o animal virou símbolo de lealdade em frente à unidade de saúde; voluntários garantem alimentação e carinho diários à ave
Há oito anos, um galo chamado Martin vive na entrada de um hospital oncológico em Santa Cruz, no leste da Bolívia. O animal chegou ao local acompanhando um paciente que não resistiu ao tratamento. Desde a morte do tutor, a ave nunca mais foi embora da frente da unidade de saúde.
A assistente social Rosmery Guardia explica que animais não têm acesso ao interior do hospital. Por esse motivo, Martin permaneceu do lado de fora. Rosmery relatou: “o paciente morreu e Martin está aqui há oito anos. As pessoas de fora o ajudam e sempre o alimentaram”.
Cuidados diários no hospital
Sem poder entrar no prédio, Martin passou a receber a atenção de quem frequenta o local. Um homem chamado Juan Claros assumiu os cuidados do galo com o apoio de visitantes do hospital. Juan oferece água e comida ao animal todos os dias.
A alimentação da ave tem uma preferência definida. Juan explicou: “ele gosta de amendoim, é isso que ele come. Todo dia ele vem por volta de quatro ou cinco horas e já está aqui”. Juan também apara as garras de Martin regularmente para que o galo consiga andar sem dificuldade.
O filho de Juan, Ricardo Claros, contou que a família trata Martin como mascote do local. Ricardo afirmou: “amamos muito o galo e não deixamos ninguém levá-lo”. O galo chegou a ter filhotes, mas a galinha e os pintinhos foram roubados.
Atualmente, o animal dorme em uma árvore próxima ao hospital e desce ao chão por volta das seis da manhã.
Comparação com Hachiko
A fidelidade de Martin ao lugar onde esteve com o paciente motivou comparações com outra história conhecida. Moradores e visitantes comparam o galo ao cão japonês Hachiko, que esperou por quase uma década na estação de trem em Tóquio pelo dono falecido.
O cachorro se transformou em símbolo de lealdade reconhecido no mundo todo, paralelo estabelecido com a presença de Martin na porta do hospital boliviano.