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Japão corre para resgatar desaparecidos após terremoto em Kyushu
Abalo de magnitude 6,8 sacode a ilha de Kyushu, no sudoeste do arquipélago, causando destruição e vítimas. Dezenas de pessoas ficaram presas nos escombros de um shopping center e de uma fábricaO Japão entrou pela manhã de hoje (noite de ontem em Brasília) correndo contra o tempo na tentativa de resgatar um número indeterminado de pessoas presas sob escombros, passadas 12 horas desde o forte terremoto que abalou a Ilha de Kyushu, no sudoeste do arquipélago, por volta das 16h30 (horário local, 4h30 em Brasília).
Ainda sob impacto do abalo, que atingiu magnitude 6,8 na escala Richter, o governo da premiê Sanae Takaichi mobilizava equipes de busca e socorro, com foco em dois locais: um shopping center na cidade de Kashima e uma fábrica de papel em Yatsushiro, ambos na província de Kumamoto, onde foi registrado o epicentro do sismo. De acordo com as informações iniciais, dezenas de trabalhadores estavam desaparecidos, nas duas instalações.
A emissora pública NHK mencionava “entre 20 e 30 funcionários” presos nos escombros do Shopping Aeon, onde o segundo andar ruiu. A TV provada TBS citava “um número considerável de mortos”. Vários operários estavam desaparecidos na fábrica de Yatshushiro, depois do desabamento parcial de uma chaminé. A agência de notícias Kyodo citou uma morte na cidade, na residência que ruiu. Segundo a mídia local, foram registrados danos em hospitais e unidades de saúde em Kumamoto, pressionadas pela chegada de numerosas vítimas.
A primeira-ministra Sanae Takaichi declarou no X que haviam sido confirmadas “vítimas humanas, desabamentos de prédios, danos nas estradas e incêndios”, além de “cortes de água e energia”. Imagens da televisão mostravam pontes rodoviárias parcialmente destruídas, prédios em ruínas e vagões de trem de carga tombados. Cerca de 45 mil residências e edifícios comerciais ficaram sem energia na província, segundo a operadora Kyushu Electric Power. A empresa informou que os três reatores nucleares da região estavam funcionando normalmente.
“Apavorada”
“O tremor foi muito forte e durou muito tempo. Fiquei apavorada”, disse à agência de notícias France-Presse (AFP) Chiharu Hara, uma recrutadora de 35 anos que estava em Kumamoto em viagem de negócios. Nos escritórios do cliente, “nada caiu do teto, mas o prédio balançou violentamente”, descreveu para a AFP. “Tive medo de que desabasse. Todos entraram em pânico.” Um funcionário da NHK relatou a própria experiência. “Os tremores foram tão fortes que eu não conseguia ficar de pé”, admitiu.
Segundo a emissora, dois hospitais indicaram ter atendido pelo menos 50 pacientes feridos cada um. “Estão chegando pessoas com queimaduras e fraturas após terem ficado presas nos escombros devido ao terremoto, e as ambulâncias não param de trazer feridos”, declarou o funcionário de um dos hospitais.
Histórico
Kumamoto foi afetada em 2016 por dois terremotos devastadores: o primeiro de magnitude 6,5 graus, seguido por outro de 7,3, dois dias depois. Os tremores deixaram 273 mortos e mais de 2.800 feridos. As autoridades alertaram a população sobre o risco de um tremor com intensidade comparável à do terremoto de ontem nos dois ou três dias seguintes. Nas primeiras horas, foram sentidas mais de 60 réplicas de menor intensidade.
O Japão é um dos países mais expostos a terremotos no mundo, por estar localizado na união de quatro grandes placas tectônicas ao longo da borda ocidental do Círculo de Fogo do Pacífico, rodeado de crateras de vulcões — alguns deles, ativo. O arquipélago, que tem quase 125 milhões de habitantes, registra centenas de tremores todos os anos e representa cerca de 18% dos terremotos registrados em todo o mundo.
Mensagem
O presidente Lula enviou mensagem à premiê japonesa manifestando solidariedade pela tragédia. “Tomei conhecimento, com consternação, do terremoto que atingiu a província de Kumamoto”, começa o texto. “Em nome do povo brasileiro, manifesto solidariedade ao povo japonês, especialmente às famílias mais atingidas pelos tremores, e à primeira-ministra Takaichi Sanae, com quem estive no mês passado em Evian, durante a cúpula do G7.”