Mundo
No coração da Terra, uma bola de ferro com 2.400 quilômetros de diâmetro desacelerou e agora gira para trás em relação à superfície
Cientistas observam núcleo da Terra mais lento em relação à superfície do planeta
No coração da Terra, uma esfera sólida de ferro e níquel com cerca de 2.400 quilômetros de diâmetro intriga os cientistas por causa de uma mudança sutil em sua rotação. O núcleo interno teria desacelerado em relação à superfície do planeta e passado a se mover de forma reversa quando comparado à crosta e ao manto, um fenômeno estudado por meio de ondas sísmicas.
O que existe no centro da Terra?
O centro do planeta é formado por camadas profundas que não podem ser observadas diretamente. Abaixo da crosta e do manto, existe o núcleo externo, composto por metal líquido em movimento, e o núcleo interno, uma esfera sólida submetida a pressão extrema e temperaturas altíssimas.
Essa bola metálica fica a mais de 5.000 quilômetros de profundidade. Mesmo sendo menor que a Lua, ela tem papel importante na dinâmica interna da Terra, porque interage com o núcleo externo, com o campo magnético e com pequenas variações na rotação do planeta.
Como os cientistas perceberam essa mudança?
Como ninguém consegue perfurar até o núcleo interno, os pesquisadores estudam o interior da Terra por meio de ondas sísmicas. Quando grandes terremotos acontecem, essas ondas atravessam diferentes camadas do planeta e chegam a estações de monitoramento com pequenas diferenças de tempo e formato.
Para investigar a rotação do núcleo interno, os cientistas analisam sinais repetidos e comparam como eles atravessaram o centro do planeta em diferentes anos. Alguns dados ajudam a entender esse método:
- Ondas sísmicas de terremotos semelhantes são comparadas ao longo do tempo.
- Pequenas mudanças no percurso indicam alterações no interior da Terra.
- Registros de décadas permitem observar padrões de aceleração e desaceleração.
- Estações sísmicas captam vibrações que passaram por regiões profundas.
- A comparação revela movimentos relativos entre núcleo interno, manto e crosta.

O núcleo está mesmo girando ao contrário?
A expressão “girar para trás” precisa ser entendida com cuidado. O núcleo interno não parou de repente nem começou a rodar como uma peça solta dentro da Terra. O que os estudos indicam é uma rotação mais lenta em relação à superfície, criando a impressão de movimento reverso quando comparada à crosta e ao manto.
Em outras palavras, trata-se de uma mudança relativa. Se uma camada interna se move um pouco mais devagar do que o restante do planeta, ela pode parecer retroceder para quem usa a superfície como referência. Esse detalhe evita interpretações exageradas sobre uma suposta inversão brusca no centro da Terra.
Por que essa desaceleração pode acontecer?
O núcleo interno não está isolado. Ele sofre influência do núcleo externo líquido, do manto profundo e das forças gravitacionais dentro do planeta. A interação entre essas camadas pode alterar o ritmo relativo da rotação ao longo de ciclos ainda discutidos pelos pesquisadores.
Entre as hipóteses avaliadas, alguns mecanismos aparecem com frequência nas explicações científicas sobre esse movimento:
- Fluxos de ferro líquido no núcleo externo podem exercer influência magnética.
- Irregularidades no manto podem criar acoplamento gravitacional com o núcleo.
- Diferenças de densidade em camadas profundas podem afetar o movimento.
- Oscilações periódicas podem fazer o núcleo acelerar e desacelerar ao longo de décadas.
- A dinâmica interna pode estar ligada a pequenas variações na duração dos dias.

Isso muda algo na vida das pessoas?
Para a vida cotidiana, a desaceleração do núcleo interno não deve causar efeitos perceptíveis. Não há indicação de que esse fenômeno provoque terremotos imediatos, mude o clima de forma direta ou represente risco para a superfície. As possíveis alterações na duração do dia são extremamente pequenas, medidas em frações que passam longe da percepção humana.
A importância está mais no conhecimento científico do que em impactos práticos imediatos. Entender como o núcleo se move ajuda a aperfeiçoar modelos sobre o campo magnético da Terra, a formação do planeta e o comportamento das camadas profundas que sustentam toda a estrutura geológica.
Por que estudar essa bola de ferro importa tanto?
O núcleo interno é uma das regiões mais misteriosas da Terra. Ele não aparece em fotografias, não pode ser visitado e só revela pistas por sinais indiretos. Mesmo assim, seu movimento ajuda a contar a história térmica do planeta, a circulação do metal líquido ao redor dele e a relação entre profundidade, magnetismo e rotação.
A descoberta de que essa esfera metálica pode desacelerar e se mover de forma reversa em relação à superfície reforça que o interior da Terra é dinâmico. Sob os continentes, oceanos e cidades, existe uma estrutura em movimento constante, capaz de mudar lentamente durante décadas sem que ninguém perceba do lado de fora.