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Pesquisadores exploram vulcão ativo no Caribe e encontram um possível “tesouro” rico em metais a cerca de 2 km de profundidade
Cientistas investigam vulcão ativo no Caribe e encontram sinais de uma estrutura subterrânea que pode concentrar metais valiosos
O interior de um vulcão ativo no Caribe pode esconder muito mais do que magma. Pesquisadores da Universidade de Oxford encontraram evidências de uma lente de salmoura potencialmente rica em metais sob o vulcão Soufrière Hills, na ilha de Montserrat. A estrutura aparece aproximadamente entre 1,8 e 2,5 quilômetros de profundidade e pode ajudar a entender como metais valiosos se concentram em sistemas vulcânicos.
Onde está o possível “tesouro” encontrado pelos pesquisadores?
A descoberta está relacionada ao Soufrière Hills, vulcão ativo localizado em Montserrat, território britânico ultramarino nas Pequenas Antilhas. A região voltou a viver uma grande fase eruptiva em 1995, com formação de domos de lava, explosões e fluxos piroclásticos que transformaram profundamente a parte sul da ilha.
Abaixo do edifício vulcânico, os cientistas identificaram uma anomalia compatível com rochas saturadas por uma salmoura extremamente quente e concentrada. A estrutura aparece aproximadamente entre 1,8 e 2,5 quilômetros abaixo da superfície e pode se estender lateralmente por mais de um quilômetro.
Como foi possível enxergar algo escondido a quilômetros de profundidade?
Os pesquisadores não perfuraram diretamente a estrutura. Em vez disso, utilizaram tomografia sísmica, técnica que aproveita ondas produzidas por pequenos terremotos para reconstruir características do interior da Terra, de maneira semelhante ao princípio usado em exames de imagem.
O trabalho analisou uma grande quantidade de informações registradas em Montserrat:
- Mais de 7 mil chegadas de ondas sísmicas do tipo P;
- Mais de 1,3 mil registros de ondas do tipo S;
- Dados de 1.039 eventos sísmicos registrados entre 1996 e 2007;
- Medições obtidas por 23 estações distribuídas em 18 locais;
- Diferenças na velocidade das ondas ao atravessar materiais subterrâneos.

Por que os cientistas acreditam que existe uma salmoura rica em metais?
Ondas P e S se comportam de maneiras diferentes quando atravessam magma, rochas secas ou materiais saturados por líquidos. A relação observada entre essas velocidades, somada à presença de terremotos atravessando a mesma região, levou os pesquisadores a considerar uma lente de salmoura magmática uma explicação mais provável do que uma grande massa de magma líquido.
Há ainda evidências obtidas anteriormente em perfurações na ilha. Inclusões fluidas encontradas em quartzo a cerca de 1.485 metros de profundidade apresentaram salinidade extremamente elevada e concentrações de metais como chumbo, zinco e cobre, reforçando a possibilidade de fluidos magmáticos capazes de transportar metais pelo sistema subterrâneo.
Como esses metais acabam concentrados abaixo de um vulcão?
À medida que o magma sobe e se resfria, libera água, dióxido de carbono, enxofre, sais e diferentes elementos dissolvidos. Sob determinadas condições de pressão e temperatura, esse fluido pode se separar em vapor de baixa densidade e uma salmoura muito mais densa e salgada.
Essa salmoura consegue concentrar diversos metais e pode permanecer aprisionada em rochas porosas. O processo ajuda a explicar a formação de muitos depósitos minerais conhecidos atualmente:
- Fluidos são liberados pelo magma em profundidade;
- Pressão e temperatura provocam a separação entre vapor e salmoura;
- Metais tendem a se concentrar no líquido altamente salino;
- A salmoura densa pode ficar retida em estruturas subterrâneas;
- Processos semelhantes, preservados durante milhões de anos, podem originar depósitos minerais.

Isso significa que existe uma mina pronta para ser explorada sob Montserrat?
Não. Os pesquisadores encontraram evidências geofísicas de um reservatório potencialmente rico em metais, e não uma jazida já medida e pronta para exploração comercial. Ainda não se conhece diretamente a composição completa da lente, a quantidade de metais presente ou se seria economicamente e tecnicamente viável extraí-los.
Perfurações próximas de um vulcão ativo também apresentam enormes desafios. Temperaturas elevadas, fluidos corrosivos, pressão, atividade sísmica e riscos vulcânicos tornam qualquer operação muito mais complexa do que uma mineração convencional. Por isso, uma das aplicações imediatas do estudo é justamente aperfeiçoar métodos capazes de localizar esses reservatórios sem depender de perfurações exploratórias arriscadas.
Por que uma descoberta dessas pode ser importante para tecnologias futuras?
Grande parte dos depósitos metálicos do planeta está relacionada a antigos sistemas magmáticos e hidrotermais. Compreender o que acontece atualmente sob o Soufrière Hills oferece aos cientistas a oportunidade incomum de observar praticamente em funcionamento processos que, em outros lugares, só podem ser estudados depois que milhões de anos de erosão expõem as estruturas profundas de antigos vulcões.
O possível “tesouro” sob Montserrat, portanto, interessa menos pela ideia imediata de abrir uma mina e mais pelo que pode revelar sobre a formação e localização de recursos minerais. Se técnicas sísmicas conseguirem identificar com precisão salmouras subterrâneas carregadas de metais, elas poderão ajudar futuras pesquisas sobre recursos críticos utilizados em tecnologias de energia, ao mesmo tempo em que reduzem parte da incerteza envolvida em explorar ambientes vulcânicos extremos.