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“Taxem os pobres”: filha de presidente do Paraguai publica foto em meio a processo de impeachment
Jovem usou a frase polêmica enquanto o país enfrenta uma crise financeira após a quebra de um banco e a abertura de um processo de impeachment
A estudante da Universidade Columbia Costanza Peña, filha do presidente do Paraguai, Santiago Peña, gerou repercussão negativa após publicar uma foto em suas redes sociais privadas. A informação foi divulgada inicialmente pelo site paraguaio PrimiciasYa.
Na imagem, tirada em uma academia, ela vestia uma camiseta com a estampa “Tax the poor”, expressão em inglês para taxem os pobres. O registro circulou entre parlamentares e meios de comunicação em meio ao colapso político e financeiro no Paraguai.

Processo de destituição e renúncia

O episódio aconteceu durante o avanço do processo de impeachment contra o chefe do Executivo. A Câmara aprovou a abertura do procedimento por unanimidade em uma quinta-feira (5). Logo após a votação, Peña enviou uma carta de renúncia ao Congresso, que optou por ignorar o pedido.
A renúncia buscava assegurar o posto de senador vitalício e a respectiva imunidade parlamentar, prerrogativas eliminadas em caso de condenação no julgamento político. O Senado marcou a retomada da sessão para sexta-feira (6), às 10h, com espaço aberto para a manifestação presencial do presidente. A perda do mandato depende do apoio de 30 dos 45 senadores.
O vice-presidente Pedro Alliana não foi incluído no processo e pode assumir o comando do país. Sobre o afastamento, Peña escreveu: “a história se encarregará de julgar e pôr em justa dimensão os acontecimentos que hoje nos toca viver. Tomei a decisão de apresentar a minha renúncia à presidência da República. E a faço pensando na estabilidade do nosso país, na paz social e na necessidade de preservar as nossas instituições democráticas. Estou convencido de que nenhum cargo pode estar acima do bem-estar do Paraguai. Quero também pedir desculpa ao povo, se em algum momento eu falhei. Nunca foi minha intenção desapontar a confiança que depositaram em mim.”
Colapso no sistema financeiro
A crise no país teve início com a quebra do Banco Ueno, liquidado pelo Banco Central por falta de liquidez. A instituição digital ocupava o posto de sexto maior banco paraguaio, concentrava cerca de 40% da população como cliente e geria o equivalente a R$ 4,6 bilhões em depósitos públicos, incluindo verbas da Previdência e da Saúde.
Peña compôs o quadro de acionistas do grupo proprietário até março de 2025. Setores da oposição apontam a existência de conflitos de interesse e supostas irregularidades no repasse de fundos previdenciários à entidade financeira privada.
O encerramento das operações reteve recursos de trabalhadores, companhias e aposentados. O fundo garantidor do país iniciou o pagamento aos correntistas lesados, estabelecendo cobertura máxima de até R$ 203 mil por titular. A interrupção dos serviços bancários prejudicou também os brasileiros que vivem no Paraguai e utilizavam a plataforma para enviar recursos ao exterior.
Dados oficiais mostram que o Paraguai emitiu cerca de 80 mil autorizações de residência para brasileiros em cinco anos. O fluxo migratório desse público avançou 37% em 2025, somando outras 22.600 concessões registradas no primeiro semestre deste ano.