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Vídeo: mais de 60 mil migrantes cruzam a nado do Marrocos para Ceuta

O enclave espanhol no norte da África registrou uma das maiores ondas migratórias dos últimos anos, com mais de 60 mil pessoas chegando pelo mar em poucos dias

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Foto: Reprodução/Redes sociais

Uma crise migratória sem precedente recente colocou Ceuta, exclave espanhol no norte da África, em estado de alerta nesta semana. Mais de 60 mil pessoas cruzaram a fronteira com o Marrocos em poucos dias, segundo o governo local, a maioria a nado, pelo litoral mediterrâneo que separa os dois territórios.

Como a travessia aconteceu

A entrada em massa se deu principalmente pelo mar. Grande parte dos migrantes nadou ao redor dos quebra-mares da praia de Tarajal, ponto que marca a divisa entre Espanha e Marrocos. Outros percorreram os espigões costeiros ou tentaram superar as cercas da fronteira terrestre.

Na sexta-feira, vários conseguiram pular a barreira, levando veículos da Guarda Civil a se deslocarem rapidamente para o local. A polícia espanhola usou bombas de gás para dispersar a multidão. Do lado marroquino, agentes mobilizaram caminhões com canhões d’água para tentar impedir que as pessoas chegassem a Ceuta.

A maioria dos recém-chegados é formada por cidadãos marroquinos, segundo as autoridades espanholas, mas há também pessoas de outras nacionalidades africanas, além de famílias e crianças.

Espanha envia militares

Foto: Reprodução/X

O governo espanhol acionou unidades do Exército para apoiar a Guarda Civil e a polícia, que relataram estar sobrecarregadas diante do volume de chegadas. O primeiro-ministro Pedro Sánchez viajou a Ceuta na sexta-feira ao lado do ministro do Interior, Fernando Grande-Marlaska. O governo também anunciou reforço na cooperação com o Marrocos para controlar o fluxo e acelerar devoluções quando houver respaldo legal.

A União Europeia declarou apoio à Espanha e sinalizou disposição para ampliar a cooperação no controle da fronteira externa do bloco, incluindo o reforço da Frontex, agência europeia de vigilância de fronteiras.

O que está por trás do fluxo

As autoridades ainda investigam as causas da nova onda. O governo espanhol afirmou que há indícios de atuação de redes de tráfico de pessoas, que teriam organizado ou incentivado parte das travessias após mudanças recentes na interpretação das regras de devolução imediata de migrantes interceptados no mar. Até agora, não há nenhuma evidência de envolvimento do governo marroquino.

Ceuta como porta de entrada para a Europa

Foto: Google Maps (edição Super Rádio Tupi)

Ceuta fica na costa norte da África, em frente ao Estreito de Gibraltar. Por pertencer à Espanha, integra a União Europeia, o que faz da cidade uma das únicas fronteiras terrestres entre o bloco europeu e o continente africano, ao lado de Melilla. Para muitos migrantes, chegar à cidade equivale a pisar em solo europeu.

A crise tem paralelo com maio de 2021, quando cerca de 5 mil pessoas cruzaram a fronteira em um único dia, em meio a uma disputa diplomática entre Madri e Rabat. Na ocasião, o estopim foi a decisão da Espanha de receber para tratamento médico o líder da Frente Polisário, movimento que reivindica a independência do Saara Ocidental, território no norte da África controlado em sua maior parte pelo Marrocos e considerado pela ONU como não autônomo.

Os migrantes que chegam a Ceuta passam por identificação e são encaminhados a centros de acolhimento. Quem solicitar proteção internacional terá o pedido analisado pelas autoridades espanholas; os demais podem ser devolvidos ao Marrocos com base em acordos bilaterais e decisões judiciais. A agência Reuters registrou também, na sexta-feira, o movimento de parte das pessoas no sentido inverso, com alguns migrantes começando a retornar ao território marroquino.