Política

Durante investigação do Caso Marielle, escutas relacionam milicianos à família Brazão no Rio

Escutas telefônicas revelaram relação entre o Escritório do Crime e políticos da família Brazão

Por Redação Tupi

Durante investigação do assassinato da vereadora Marielle Franco (PSOL-RJ), escutas telefônicas revelaram ligação entre os membros da milícia Escritório do Crime e políticos da família Brazão do Rio. Os criminosos recorreram aos políticos para evitar um pagamento de propina a um funcionário da prefeitura. As informações foram apuradas e divulgadas pelo portal UOL.

De acordo com o site, esta seria a primeira prova real da ligação entre os políticos cariocas e um grupo paramilitar. O Escritório do Crime é composto por assassinos de aluguel que domina os bairros de Rio das Pedras e Muzema, na zona oeste do Rio.

Nesses locais, além de cobrar taxas dos moradores, a milícia constrói prédios irregulares, a exemplos dos dois que desmoronaram no mês de abril, quando 22 pessoas morreram. Ainda de acordo com informações do site, a família Brazão tem base eleitoral em bairros controlados pela milícia.

O chefe do clã é Domingos Brazão, ex-deputado e conselheiro afastado do TCE-RJ, ele é suspeito de envolvimento na morte de Marielle e de obstruir a investigação sobre o caso. Domingos tem mais dois irmãos exercendo mandatos legislativos, o deputado federal Chiquinho e Manoel Inácio, também conhecido como Pedro Brazão, é deputado estadual.

Em uma das ligações, Fábio Campelo Lima, que é apontado como despachante do Esceritório do Crime, tinha que pagar propina a uma funcionário público para facilitar a documentação dos imóveis e negócios irregulares da milícia. No mesmo dia, o servidor público cobrou R$ 3 mil para liberar um alvará de uma empresa.

Fábio: “E o rapaz lá não deu a resposta, não, do Brazão?”

Manoel: “Não deu não e eu acabei esquecendo. Vou dar uma ligada pra ele aqui”.

Fábio: “Se ele conseguir isso vai ser uma boa, não sei qual foi o acordo aí que você fez com ele”

Após desligar, Manoel ligou para o telefone de João Carlos Macedo da Silva, assessor parlamentar de Pedro Brazão na Alerj.

João Carlos: “Oi, Manoel.”

Manoel: “Tem alguma notícia para seu amigo?”

João Carlos: “Não, não, não… ainda não… eu fui lá hoje, mas sexta-feira ele só apita [marca presença], sai para almoçar e não volta mais, segunda-feira eu tô lá com ele lá.”

Manoel: “Segunda a gente vê então”. João Carlos: “Isso, é, pode ficar tranquilo, tá bom, meu amigo?”

Depois de 3 dias, 22 de outubro de 2018, os milicianos voltam com o assunto e Manoel fala o nome do deputado Pedro Brazão.

Gerente: “Como é que ficou a situação lá do negócio do alvará?”

Manoel: “Cara, eu mandei soltar, paguei os R$ 3 mil, eu pelejei, levei pro Pedro, aquele amigo lá o Pedro Brazão…”

Gerente: “Ham, ham”

Manoel: “Aí me atendeu, ‘vou ver pra tu’, aí eu liguei agora três horas não me atendeu”

Duas horas mais cedo, Manoel cita Pedro em conversa com Fábio.

“Eu tô ligando para aquele outro amigo lá, o Pedro Brazão, falou que ia acertar, que ia ver, tô ligando agora, ele não tá atendendo mais, senta o pau, manda desenrolar, dá três lá pra ele”

Nenhuma das partes citadas na matéria responderam aos questionamentos do site UOL.

Domingos Brazão foi citado na CPI das Milícias de 2008 como um dos políticos que faziam campanhas em Rio das Pedras.

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