Política

Guedes decide não comentar fala de Bolsonaro sobre derrubar preço do dólar

Em um dos raros comentários do chefe do Executivo sobre mercado financeiro, ao sair do Palácio Alvorada, Bolsonaro disse que ''gostaria de um dólar abaixo de R$ 4''

Por Vera Batista

(Foto: Alan Santos/PR)

(Correio Braziliense/Vera Batista) O ministro da Economia, Paulo Guedes, não quis comentar as declarações do presidente Jair Bolsonaro, na manhã desta quarta-feira (20/11), ao sair do Palácio Alvorada, de que “gostaria de um dólar abaixo de R$ 4”. Esse foi um dos raros comentários do chefe do Executivo sobre mercados financeiros, após a moeda norte-americana bater recorde histórico na segunda-feira (18/11), ao chegar aos R$ 4,20. Mas o objetivo foi justificar que as oscilações do câmbio não dependem de fatores domésticos. ““O mundo está todo conectado. Qualquer problema lá fora tem reflexo no mundo todo, não é só aqui, não”, disse Bolsonaro.

Guedes, no entanto, lembrou o que afirmou ao seu chefe mais cedo. “Mas o presidente disse que é para perguntar ao Roberto Campos (presidente do Banco Central)”, retrucou. Ele também não respondeu às perguntas sobre o envio do texto da reforma administrativa ao Congresso Nacional, que ele mesmo prometeu que vai ser entregue na próxima semana. Ao sair de uma reunião com a Frente Parlamentar da Química, em um restaurante chique da Capital, Guedes voltou a dizer que o governo quer fazer “um choque de energia barata através do gás natural”.

“Vamos derrubar aí 30% a 40% do preço do gás natural. Os industriais de um lado e os parlamentares, do outro, discutem como se preparar para o desafio da reindustrialização. Estamos trabalhando em todas as frentes, reduzindo juros, impostos, reduzindo a oneração da folha. Vamos atacar através da cabotagem, da queda dos custos de logística. Porque a indústria brasileira sofreu golpes durante 1,2, 3, 4 décadas e foi perdendo competitividade”, explicou o ministro. Ele destacou, ainda, que avisou a parlamentares e empresários para que não se assustem com os acordos comerciais que o governo vem fazendo.

Esses acordos fazem parte, segundo Guedes, de um processo de abertura gradual e irreversível, que vai ser feita em cima da energia e da logística baratas. “Nós não vamos soltar a indústria estrangeira em cima da indústria nacional antes de simplificarmos impostos e reduzirmos os juros. Isso nós já estamos fazendo”.  Ele disse que saiu satisfeito da reunião, recebeu “sábias sugestões”, alinhadas aos princípios desse governo de abrir a economia, reduzir subsídios e aumentar a competitividade.

Entre as sugestões, na direção de desburocratizar e simplificar, ele ressaltou (embora não tenha revelado de que maneira) indicações de como acelerar o processo de aprovação de licenças ambientais. “Mais eficiência, por uma economia de mercado. Fiquei bem impressionado com essa conversa. Ninguém pediu subsídio, ao contrário”, reforçou.

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