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Carnaval

Beija-Flor celebra o Bembé e transforma ocupação em florescimento na Sapucaí

Atual campeã, escola de Nilópolis leva à avenida a resistência do Bembé do Mercado de Santo Amaro, tradição de 136 anos que une fé, cultura e afirmação de cidadania no Recôncavo Baiano.

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SELMINHA SORRISO E CLAUDINHO - CASAL MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRABEIJA FLOR DE NILÓPOLIS
Foto: Eduardo Holanda

Com o enredo “Bembé”, a Beija-Flor leva para a avenida a força de um território que aprendeu a transformar a exclusão em presença, o Bembé do mercado de Santo Amaro da Purificação, no Recôncavo Baiano. 

Há cento e trinta e seis anos, o povo ocupa as ruas para celebrar o candomblé de forma aberta, coletiva e resistente, em uma manifestação que nasceu com João de Obá, no dia 13 de maio de 1889, exatamente um ano após a abolição da escravidão, como gesto de celebração e afirmação de liberdade. 

A escola de Nilópolis irá tratar da ocupação como ato político e afirmação de cidadania, num país que aboliu a escravidão sem garantir reparação, onde o espaço público, que um dia foi negado, transforma-se em chão sagrado. 

Na praça, fé e cotidiano se misturam com barracas, ervas, comidas e artesanato, com o xirê acontecendo sob céu aberto, com o ponto alto sendo dois balaios que  seguem em oferenda, um para Oxum, outro para Iemanjá. 

É agradecimento e pedido, uma memória que atravessa gerações, com a Beija-Flor indo à avenida para dizer que ocupar também é florescer. 

Fundada em 1948, a Beija-Flor tem como cores o azul e o branco, em referência à bandeira do município da Baixada. 

Campeão no ano passado, o carnavalesco João Vitor Araújo continua na escola pelo terceiro ano seguido, assim como os mestres Rodney e Plínio,que comandam a bateria “Soberana” há dezesseis anos. 

Mas o grande destaque fica para a estreia dos intérpretes Nino e Jéssica Martin, que chegam com a responsabilidade de substituir Neguinho da Beija-Flor, aposentado depois de cinquenta carnavais.

Responsável por consagrar a azul e branca da Baixada como grande campeã de 2025, João Vitor Araújo contou que foi a Santo Amaro como parte do trabalho de pesquisa e descreveu a experiência como fundamental para a construção do enredo. 

“Batemos o martelo sobre o enredo do Bembé perto da festa.[…] Então, nós tivemos a chance de lançar esse enredo em abril, receber as bênçãos das lideranças e viver o Bembé no mês de maio. Porque tudo que eu tenho no papel, todas as fantasias, todas as alas, são informações, são referências puras de Santo Amaro” 

Bembé, nome que vem da própria palavra candomblé, reúne diversos terreiros e também manifestações culturais da cidade.

“Esse é o diferencial também do Bembé do Mercado, porque não é só candomblé, você não vive só macumba, você vive outras experiências. Então, sempre antes do, do candomblé acontecer, manifestações folclóricas, culturais dali de Santo Amaro ou do entorno, se apresentam nos dias de candomblé.” explicou João Vitor sobre a dinâmica, destacando o samba de roda, o maculelê, as caretas, dentre outros elementos.

No desfile, a Beija-Flor canta os seis dias de festa, evocando a força da resistência e a identidade do povo preto de Santo Amaro. 

A Beija-Flor de Nilópolis será a segunda escola do grupo especial a se apresentar na segunda-feira de carnaval, dia 16 de fevereiro. 

Com quinze títulos na primeira divisão, é a atual campeã do carnaval, com o enredo Laíla de Todos os Santos, Laíla de Todos os Sambas, de João Vitor Araújo. 

A agremiação é a terceira maior campeã do Rio, atrás apenas da Portela e da Mangueira.