Rio
Capivara espancada na Ilha do Governador é solta após reabilitação
Animal, que perdeu visão em agressão, ganhou novo lar estratégico para sua segurança
A capivara macho que sofreu um espancamento na Ilha do Governador foi devolvida à natureza nesta quarta-feira (20). O animal passou por um processo de reabilitação de dois meses antes de ser solto em uma reserva ambiental na Zona Oeste do Rio de Janeiro.
Antes de receber a autorização médica, o roedor enfrentou uma rotina rigorosa de exames laboratoriais e procedimentos oftalmológicos. A equipe veterinária avaliou a capacidade do animal de buscar alimento e sua adaptação clínica, emitindo o laudo de soltura apenas após a total cicatrização das feridas causadas pela violência.
Monitoramento e critérios para o novo habitat
Devido às agressões, o bicho perdeu a visão de um dos olhos, o que impediu seu retorno ao local de origem por questões de segurança. Os técnicos optaram por um espaço fechado e sem tráfego de veículos, reduzindo as chances de atropelamentos. O novo lar também possui poucos machos da mesma espécie, o que evita brigas territoriais perigosas para um animal com limitação visual.
A vereadora Tainá de Paula, que atuou na Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Clima entre 2023 e 2026, acompanhou o resgate e a soltura. Ela ressaltou que a operação exigiu um planejamento logístico minucioso para garantir um recomeço seguro ao bicho, que agora vive em uma área protegida.
Sobre a importância do ato, a parlamentar afirmou que o animal carrega cicatrizes da crueldade, mas que sua recuperação é simbólica.
“Ver esse animal voltando para o seu habitat, recuperado e seguro, é uma vitória coletiva, mas também um alerta urgente. Ele carrega a cicatriz da crueldade humana, tendo perdido a visão de um olho, e foi por isso que articulamos um esforço técnico e logístico tão rigoroso para encontrar o local perfeito para o seu recomeço. Não podíamos simplesmente soltá-lo em qualquer lugar onde ele ficasse vulnerável a atropelamentos ou brigas de território”, declarou.
Para evitar novos episódios de maus-tratos ou a ação de caçadores, as autoridades decidiram manter em sigilo o ponto exato da soltura dentro da área de preservação. A medida visa garantir que o espécime consiga se readaptar plenamente sem interferência humana externa.

