Rio
Corpo de Bombeiros capacitam membros para atendimento em Libras
Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro passa a incluir formação básica em Língua Brasileira de Sinais e adota ferramenta visual de comunicação
O Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro incluiu o ensino básico da Língua Brasileira de Sinais, a LIBRAS, no curso básico de formação de socorristas, além de criar um cartão de comunicação visual.
O novo recurso, irá auxiliar no atendimento às vítimas com dificuldades de comunicação, especialmente pessoas surdas. Segundo a corporação, o material já está sendo distribuído e ficará disponível em todas as viaturas operacionais da corporação.
O tenente-coronel do Corpo de Bombeiros, Euler Lucena, detalhou a iniciativa da corporação para a população surda, que foca nesses aspectos de dificuldades na comunicação.
“É um treinamento contínuo e espera-se que até o final de 2026 tenhamos mais de 500 militares capacitados neste básico de LIBRAS. E nesse momento a gente está fazendo agora o lançamento de um novo produto, um cartão de comunicação visual. É um produto que foi desenvolvido na Inglaterra, adaptado para ser utilizado no Brasil.” – explicou o tenente-coronel, que disse que a ferramenta estará presente em todas as viaturas, postos, guarda-vidas, dentre outros lugares, trazendo grandes benefícios para a comunicação.
O cartão, que reúne imagens ilustrativas acompanhadas de palavras em português e inglês, é dividido por temas que permitem que os socorristas se comuniquem de forma rápida em situações de emergência, onde cada segundo é decisivo.
A reportagem da Super Rádio Tupi foi acompanhar junto à comunidade surda como as pessoas com esta condição estão encarando a acessibilidade.
Um dos entrevistados, o professor Augusto Machado, que é deficiente auditivo, relatou as principais dificuldades nos atendimentos.
“Eu sou uma pessoa surda, por exemplo, quando chego no hospital, numa clínica, um médico de atendimento, tanto o público quanto o particular, isso acontece nos dois. Tem essa barreira, e falta acessibilidade, e falta comunicação em LIBRAS. Não tem. […] Então falta LIBRAS.” – declarou o professor, ressaltando que é um direito das pessoas surdas poderem se comunicar em sua língua.
Dados do IBGE, Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, apontam que 5% da população brasileira é composta de pessoas que apresentam alguma deficiência auditiva.
Essa porcentagem significa que mais de 10 milhões de cidadãos apresentam uma deficiência, e 2,7 milhões têm surdez completa.
Segundo a Organização Mundial de Saúde, um bilhão e meio de pessoas têm algum grau de perda auditiva no planeta.