Delegado da PF recebia grana do CV para vazar operações: "Estudou tanto para chafurdar na lama" - Super Rádio Tupi
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Delegado da PF recebia grana do CV para vazar operações: “Estudou tanto para chafurdar na lama”

Ao todo, foram cumpridos quatro mandados de prisão preventiva e três mandados de busca e apreensão na cidade do Rio de Janeiro

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Foto: Reprodução/TV Globo

A Polícia Federal prendeu, na manhã desta segunda-feira (9), o delegado federal Fabrizio Romano e o ex-secretário estadual de Esportes do Rio de Janeiro, Alessandro Pitombeira Carracena, durante uma operação que investiga um esquema de venda de influência e vazamento de informações sigilosas para o Comando Vermelho. A ação, batizada de Operação Anomalia, foi autorizada pelo Supremo Tribunal Federal.

A informação foi antecipada durante o programa Patrulha da Cidade, da Super Rádio Tupi. Segundo ele, além do delegado e do ex-secretário, uma advogada conhecida no Rio de Janeiro e um agente da Polícia Federal também foram alvos da operação.

“É o delegado da Polícia Federal Fabrízio Romano. Além dele, também foi preso o ex-secretário de Estado dos Esportes do Rio de Janeiro, Alessandro Carracena. E mais: uma advogada conhecida, que não teve o nome divulgado ainda, e um quarto alvo, que seria um agente da Polícia Federal também investigado”.

Ao todo, foram cumpridos quatro mandados de prisão preventiva e três mandados de busca e apreensão na cidade do Rio de Janeiro, além de medidas cautelares como o afastamento de funções públicas.

Detalhes da Operação Anomalia

Entenda os principais pontos da investigação da Polícia Federal.

🚨 Alvos Principais: O delegado federal Fabrizio Romano e o ex-secretário Alessandro Pitombeira Carracena foram presos.

💸 Esquema: Venda de influência e vazamento de informações sigilosas para o Comando Vermelho.

⚖️ Crimes: Associação criminosa, corrupção ativa e passiva, tráfico de influência e lavagem de capitais.

🔗 Ligação: Desdobramento do caso TH Joias, traficante internacional de drogas.

Como funcionava o esquema

De acordo com as investigações, o ex-secretário Carracena e advogados atuavam como intermediários para viabilizar pagamentos em dinheiro ao delegado Fabrizio Romano. Em troca, o delegado repassaria informações internas da Polícia Federal e utilizaria sua influência dentro da corporação para beneficiar interesses de um traficante internacional de drogas.

Durante a cobertura ao vivo no Patrulha da Cidade, foi detalhado o suposto funcionamento do esquema: “Esse delegado recebia dinheiro de Thiego Raimundo dos Santos Silva, o TH Joias, ex-deputado que está preso por ligações com o Comando Vermelho. E Alessandro Carracena intermediava essa negociação para vazar informações de inquéritos da PF contra o Comando Vermelho”.

As apurações também apontam a participação de um indivíduo com histórico criminal ligado à articulação política e operacional do grupo em Brasília.

TH Jóias – Crédito: Divulgação/Alerj

Ligação com o caso TH Joias

A Operação Anomalia é um desdobramento do inquérito que levou à prisão do ex-deputado estadual Thiego Raimundo dos Santos Silva, conhecido como TH Joias, em setembro de 2025, durante a Operação Zargun. Na ocasião, a Polícia Federal investigou um esquema de corrupção envolvendo lideranças do Comando Vermelho no Complexo do Alemão e agentes políticos e públicos.

Segundo a investigação, informações sobre a Operação Zargun teriam sido antecipadas, o que teria permitido que TH Joias reorganizasse seu entorno antes do cumprimento dos mandados. O ex-deputado deixou o imóvel onde morava, na Barra da Tijuca, com sinais de retirada apressada de objetos.

O caso também levou à prisão do então presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro, Rodrigo Bacellar, em dezembro de 2025, durante a Operação Unha e Carne, acusado de alertar o ex-deputado sobre a ação policial.

Já o desembargador Macário Judice Neto, do Tribunal Regional Federal da 2ª Região, que era relator do caso no tribunal, também chegou a ser preso durante as investigações, embora não tenha sido indiciado.

Foto: Reprodução/Super Rádio Tupi

Repercussão

Durante o programa Patrulha da Cidade, o comunicador Mário Belisário comentou a prisão com indignação: “Um delegado da Polícia Federal se prestando para isso. O cara faz um concurso, e não é fácil você passar como policial e como delegado também, estuda muito, se prepara — para chafurdar na lama com esses caras aí. Olha que tristeza, minha gente”, afirmou.

Belisário também elogiou a atuação da Polícia Federal no caso: “Ainda bem que o delegado da Polícia Federal, o chefão aqui do Rio de Janeiro, viu, observou, investigou e disse: ‘é você’. Então cana para ele também”.

Crimes investigados e próximos passos

Os investigados responderão, na medida de suas responsabilidades, pelos crimes de associação criminosa, corrupção ativa, corrupção passiva, tráfico de influência e lavagem de capitais.

A Operação Anomalia integra a Força-Tarefa Missão Redentor II, criada para fortalecer a atuação da Polícia Federal no combate a organizações criminosas no Estado do Rio de Janeiro, com foco na desarticulação de conexões entre o crime organizado e agentes públicos e políticos.

Todos os alvos foram encaminhados à superintendência da Polícia Federal no centro do Rio de Janeiro.