Carnaval
Entre o mito e a rua, nasce o frevo: Inocentes de Belford Roxo traz narrativa lúdica inspirada em “Pagode Russo”
Com alegria e imaginação popular, agremiação de Belford Roxo conta origem simbólica do frevo no Carnaval de 2026.
“O sonho de um tal pagode russo nos frevos do meu Pernambuco.” Esse é o enredo da Inocentes de Belford Roxo para o Carnaval de 2026, uma proposta que parte de uma narrativa que mistura ficção e realidade para contar de forma simbólica a origem de um dos maiores patrimônios culturais de Pernambuco, o frevo.
A história não se apresenta como verdade histórica, mas sim como um causo popular, desses que atravessam gerações, ganham novas versões e sobrevivem justamente pela força do imaginário coletivo.
O ponto de partida é um suposto episódio do século XIX, quando uma comitiva russa teria desembarcado em Pernambuco para observar costumes, paisagens e modos de vida do Brasil, onde a chegada dos estrangeiros teria provocado uma recepção oficial com cerimônias formais ao mesmo tempo em que o povo ocupava as ruas com música, dança e celebração espontânea.
A partir desse encontro improvável, onde culturas distintas se cruzaram, o frevo surgiu como resultado dessa mistura: uma dança quente, acelerada e cheia de identidade que carrega marcas de fora, mas floresce com alma brasileira.
Ao final, o enredo reforça que não importa saber se a história aconteceu exatamente assim, mas sim que o que vale é a versão contada e cantada pelo povo.
Fundada em 1993, a Inocentes de Belford Roxo traz em seu pavilhão as cores azul, vermelho e branco. Para o carnaval de 2026, a escola decidiu renovar a sua equipe, contratando o carnavalesco Edson Pereira, o intérprete Ito Melodia e o mestre de bateria Washington Paz.
Estreando no comando da agremiação de Belford Roxo, Edson Pereira explicou a proposta de enredo que a escola vai levar para a Avenida, que promete ser muito alegre. “É […] um carnaval onde a gente tenta resgatar a felicidade do povo nordestino, a felicidade do próprio carnaval que está inserido em todo o Brasil e, mais especificamente, falando de Recife, de Pernambuco, de Olinda, do Frevo, do Maracatu.” – explicou o carnavalesco, que deseja apresentar na avenida toda a diversidade do carnaval, não só no olhar do carioca, mas do povo brasileiro.
Segundo Pereira, a ideia teria surgido a partir da música Pagode Russo, através do seguinte questionamento: a que será que Luiz Gonzaga se referia na canção. A curiosidade se transformou em pesquisa, criando uma narrativa que mistura Brasil e Rússia que conta de modo lúdico a história do Frevo.
“Essa diversidade cultural e que a gente brinca um pouco com isso, baseado muito na canção de Luiz Gonzaga, do tal Pagode Russo, na Boate Cossacô, é algo que a gente tenta resgatar na nossa memória, na nossa lembrança afetiva, mostrando o quanto é importante falar sobre o que produzimos nós, o que representa para nós a nossa cultura.”
Nesse encontro, marcado por uma recepção calorosa, onde movimentos soltos das danças populares brasileiras se misturam às marchas e ritmos estrangeiros, essa troca cultural entre o real e o imaginado constrói o enredo da Inocentes Belford Roxo para o Carnaval de 2026.
A Inocentes de Belford Roxo será a segunda escola da série Ouro a desfilar na sexta-feira de Carnaval, dia 13 de fevereiro.
Campeã em 2012, com um enredo sobre Corumbá, tenta conquistar o segundo título e voltar à elite do Carnaval, depois de 13 anos.