Rio
Felipe Curi detalha investigações que levaram à prisão de TH Joias no Rio: “Fiz de propósito”
Em entrevista a podcast nesta quarta (28), secretário da Polícia Civil do Rio relembrou operações de 2017 e 2025 contra o ex-deputado estadual
O secretário de Polícia Civil do Rio de Janeiro, Felipe Curi, revelou nesta quarta-feira (28) detalhes sobre as investigações que levaram à prisão do ex-deputado estadual Thiego Raimundo dos Santos Silva, o TH Joias, em duas ocasiões distintas. A declaração foi dada durante participação no podcast Código Zero, da Super Rádio Tupi, apresentado pelo jornalista Lucas Araújo.
Curi comandou a primeira operação contra o parlamentar em 2017, quando TH Joias foi detido por corrupção de policiais civis. Segundo o secretário, o esquema tinha como objetivo obter informações privilegiadas sobre operações policiais em andamento.
“As nossas operações todas estavam dando errado. Tudo batendo na trave. Comecei a desconfiar do que estava acontecendo e fomos na origem dos vazamentos”, explicou Curi. A investigação identificou TH Joias, outros envolvidos e dois policiais civis que foram presos e demitidos. O ex-deputado foi condenado a quase 15 anos de prisão, mas ficou apenas 10 meses preso, recorreu e aguardou em liberdade.
Apesar da condenação, TH Joias conseguiu se eleger deputado estadual e retornou ao exercício do mandato. A situação criou um constrangimento institucional para o secretário, que passou a evitar qualquer tipo de contato com o parlamentar em eventos oficiais.
No final de 2024, durante uma cerimônia de formatura de novos policiais civis com milhares de pessoas presentes, Curi disse que orientou o cerimonial a manter distância do deputado. “Eu não quero que ele fique lá no palco com a gente”, declarou ao responsável pelo evento. Como não era possível impedir a presença de um parlamentar em exercício, o secretário determinou que TH Joias fosse posicionado longe dele.
Estratégia de afastamento em eventos públicos
O secretário adotou uma postura clara de não reconhecimento público do ex-deputado. Durante os cumprimentos às autoridades presentes na cerimônia, Curi deliberadamente não mencionou o nome de TH Joias, que percebeu o desconforto e passou a evitar eventos da Polícia Civil.
“Fiz de propósito porque ele nunca foi bem-vindo em nenhum evento da Polícia Civil. Não cumprimentava, ficava longe”, afirmou o secretário. A estratégia foi mantida em todos os eventos subsequentes em que ambos estavam presentes.
Em setembro de 2025, TH Joias foi preso novamente em uma operação coordenada entre a Polícia Civil e a Polícia Federal através da Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (FICCO). As investigações revelaram ligação do ex-deputado com facções criminosas, especialmente com o Comando Vermelho.
“Nós tínhamos um material de inteligência muito robusto com muitas informações mostrando o envolvimento dele profundo com a facção criminosa e com lideranças do Comando Vermelho”, detalhou Curi. A Polícia Federal conduzia investigação paralela na Justiça Federal, enquanto a Polícia Civil atuava na esfera estadual.
As duas corporações sincronizaram as operações para que fossem deflagradas simultaneamente, maximizando a eficácia da ação. Após a prisão, a Polícia Federal assumiu a condução dos desdobramentos do caso.
O podcast Código Zero vai ao ar toda quarta-feira, a partir das 15h, no YouTube da Super Rádio Tupi, Spotify, Amazon Music e Apple Podcasts. A entrevista completa com Felipe Curi traz outros detalhes sobre a atuação da Polícia Civil fluminense no combate ao crime organizado.
Acompanhe abaixo a entrevista completa com Felipe Curi: