PF indicia Bacellar, TH Joias e mais 3 por vazar dados ao Comando Vermelho - Super Rádio Tupi
Conecte-se conosco
x

Rio

PF indicia Bacellar, TH Joias e mais 3 por vazar dados ao Comando Vermelho

Deputado estadual licenciado da Alerj é acusado de alertar TH Joias sobre operação policial

Publicado

em

Compartilhe
google-news-logo
TH Joias e Rodrigo Bacellar, presidente da Alerj. Foto: Divulgação

A Polícia Federal indiciou o deputado estadual Rodrigo Bacellar (União Brasil), presidente licenciado da Alerj, o ex-deputado estadual Thiego Raimundo dos Santos Silva, o TH Joias, e outras três pessoas por suspeita de vazar informações sigilosas para integrantes do Comando Vermelho. Também foram indiciados Flávia Júdice Neto, Jéssica Oliveira Santos e Tharcio Nascimento Salgado.

O desembargador do Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2), Macário Judice Neto, que chegou a ser preso durante as investigações, não foi indiciado. A PF informou que a decisão se deve às regras da Lei Orgânica da Magistratura, que prevê procedimentos específicos para a responsabilização de juízes.

Ligação entre Bacellar e TH Joias na véspera da operação

TH Joias e Rodrigo Bacellar, presidente da Alerj. Foto Divulgação

Bacellar foi preso no dia 3 de dezembro pela PF na Operação Unha e Carne. A suspeita é de que ele teria vazado informações sigilosas da Operação Zargun, deflagrada em setembro, na qual TH Joias foi preso. Em 9 de dezembro, o ministro Alexandre de Moraes, do STF, determinou a substituição da prisão por medidas cautelares.

Segundo o Blog do Octavio Guedes, na tarde de 2 de setembro, véspera da Operação Zargun, Bacellar teria ligado para TH Joias, avisado sobre os mandados e o orientado a destruir provas. TH chegou a organizar uma mudança e usou um caminhão-baú para retirar pertences.

A suspeita de vazamento foi levantada pelo próprio procurador-geral de Justiça do Rio, Antonio José Campos Moreira, no dia da operação. “Houve uma certa dificuldade” para achar TH, afirmou na ocasião. “O parlamentar havia saído do condomínio por volta das 21h40 [de terça, 2, véspera da operação], deixando a casa completamente desarrumada, o que pode sugerir uma fuga e o desfazimento de vestígios de fatos criminosos”, declarou.

TH de fato não estava em sua casa, na Barra da Tijuca, quando as equipes chegaram. Ele só foi encontrado horas depois na residência de um amigo, no mesmo bairro.

Esquema envolvia armas, drogas e cargos na Alerj

TH Joias foi preso em 3 de setembro por tráfico de drogas, corrupção e lavagem de dinheiro, suspeito de negociar armas e acessórios para o Comando Vermelho. Ele havia assumido o mandato em junho, como 2º suplente, após a morte de Otoni de Paula Pai e a recusa de Rafael Picciani em herdar a vaga. Perdeu o cargo quando Picciani retornou à Alerj, depois de ser exonerado pelo governador Cláudio Castro (PL) da Secretaria Estadual de Esporte e Lazer.

TH foi alvo simultâneo de duas operações com investigações convergentes: uma com mandados expedidos pelo TRF-2 e outra pelo Tribunal de Justiça do Rio. Para o MPRJ, ele utilizou o mandato para favorecer o Comando Vermelho, inclusive nomeando comparsas para cargos na Alerj.

A Operação Zargun cumpriu 18 mandados de prisão preventiva, 22 de busca e apreensão e decretou o sequestro de bens no total de R$ 40 milhões. A PF identificou um esquema de corrupção que envolvia TH, chefes do CV, um delegado da PF, policiais militares e ex-secretários.

“A organização infiltrava-se na administração pública para garantir impunidade e acesso a informações sigilosas, além de importar armas do Paraguai e equipamentos antidrone da China, revendidos até para facções rivais”, afirmou a PF.

Os indiciados respondem por organização criminosa, tráfico internacional de armas e drogas, corrupção ativa e passiva e lavagem de dinheiro. O g1 tenta contato com a defesa dos acusados.