Rio
Polícia Civil desarticula quadrilha interestadual de furto de cabos; esquema movimentou R$ 417 mi
Operação Caminhos do Cobre mira furto, receptação e lavagem em quatro estadosA Polícia Civil do Rio deflagrou nesta segunda-feira (23) a Operação Caminhos do Cobre para desarticular uma organização criminosa interestadual acusada de furto de cabos, receptação e lavagem de dinheiro. Segundo a Delegacia de Roubos e Furtos (DRF), o grupo movimentou R$ 417.954.201, com mandados cumpridos no Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais e Tocantins. No estado fluminense, as ações ocorrem na capital, Nilópolis, Mesquita e Itaguaí.
O delegado Thiago Neves, titular da DRF, explicou ao Lucas Araújo, da Super Rádio Tupi, como a investigação começou: “A operação iniciou em 2024, através de um monitoramento de um caminhão que conseguiu retirar uma grande quantidade de cobre. O material foi levado para o Morro do Urubu, onde foi fracionado. A gente conseguiu identificar quatro núcleos principais: um estratégico, um operacional, que colocava a mão na massa, um núcleo de receptadores e um núcleo financeiro.”
Frentes da operação criminosa
De acordo com a DRF, o grupo atuava em três frentes: furto, revenda e lavagem de dinheiro. Os crimes ocorriam principalmente de madrugada, com caminhões usados para arrancar cabos subterrâneos e motocicletas como batedores, monitorando a polícia e até bloqueando vias. O material era levado a pontos de apoio, fracionado e vendido a ferros-velhos e recicladoras ligadas ao esquema.
Na etapa financeira, a organização utilizava notas fiscais falsas e fragmentava valores em diversas transferências para dificultar o rastreamento. O principal investigado teria movimentado sozinho R$ 97 milhões, quantia incompatível com a renda declarada. Uma das empresas centrais do esquema registrou mais de R$ 90 milhões.

Bloqueio de ativos financeiros
Além das buscas, a DRF solicitou à Justiça o bloqueio de ativos financeiros e a apreensão de veículos e imóveis. A operação integra a iniciativa Caminhos do Cobre, que desde setembro de 2024 já realizou mais de 430 fiscalizações, cerca de 200 prisões, apreensão de aproximadamente 300 toneladas de cobre e pedido de bloqueio de R$ 240 milhões.
O governador Cláudio Castro afirmou: “Furto de cabos não é ‘pequeno crime’. É um ataque direto aos serviços públicos, ao trabalhador e à rotina da cidade.”