Rio
Quem é Thiago Rangel, deputado preso pela PF que já tinha sido alvo de outra operação em 2024
Parlamentar do Avante tem base em Campos e já tinha sido investigado pela PF em 2024
O deputado estadual Thiago Rangel (Avante) foi preso na manhã desta terça-feira (5) pela Polícia Federal, na quarta fase da Operação Unha e Carne, que apura fraudes em contratos da Secretaria de Estado de Educação do Rio de Janeiro (Seeduc). Líder do Avante na Assembleia Legislativa (Alerj), o parlamentar tem base eleitoral em Campos dos Goytacazes e já havia sido alvo de outra operação federal em 2024.
Rangel é o nome mais conhecido entre os sete alvos de mandados de prisão preventiva expedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na ação desta terça. A PF também cumpre 23 mandados de busca e apreensão nos municípios do Rio, Campos dos Goytacazes, Miracema e Bom Jesus do Itabapoana.
Thiago Rangel Lima tem 39 anos, é empresário do ramo varejista e nasceu em Campos dos Goytacazes, no Norte Fluminense, segundo informações do perfil oficial do parlamentar na Alerj. Antes de chegar à Assembleia Legislativa, foi vereador na Câmara Municipal de Campos.
Em 2022, foi eleito deputado estadual com mais de 31 mil votos, então pelo Podemos. A votação concentrou-se nas regiões Norte e Noroeste Fluminense, área que o parlamentar transformou em principal reduto eleitoral. A filha dele, Thamires Rangel, foi eleita vereadora em Campos em 2024, aos 18 anos.
Trocou de partido duas vezes na atual legislatura
Rangel deixou o Podemos durante o mandato e migrou para o PMB (Partido da Mulher Brasileira). Em julho de 2025, oficializou nova mudança e filiou-se ao Avante, assumindo a liderança da bancada do partido na Alerj e a coordenação política das regiões Norte e Noroeste Fluminense, segundo nota divulgada pela Direção Nacional da legenda.
Entenda a Operação Unha e Carne
Detalhes sobre a prisão do deputado Thiago Rangel e a investigação.
🚨 Prisão de Thiago Rangel
O deputado estadual foi preso na 4ª fase da Operação Unha e Carne nesta terça-feira (5).
🕵️♂️ Alvo da investigação
Suspeita de fraudes em contratos da Secretaria de Estado de Educação do RJ (Seeduc).
📍 Locais da operação
Mandados de prisão e busca e apreensão no Rio, Campos dos Goytacazes, Miracema e Bom Jesus do Itabapoana.
🔗 Conexões políticas
Aborda vínculos de grupos criminosos com agentes públicos no RJ.
A entrada no Avante foi formalizada por ofício ao então presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar, que viria a ser preso meses depois, em dezembro de 2025, em outra fase da própria Operação Unha e Carne.
Alvo da PF em 2024
Rangel não é estreante em operações da Polícia Federal. Em outubro de 2024, foi o principal investigado da Operação Postos de Midas, que apurou um suposto esquema de lavagem de dinheiro em Campos dos Goytacazes. À época, ele teve casa e locais de trabalho alvejados por mandados de busca e apreensão, mas não chegou a ser preso.
Em pronunciamento no plenário da Alerj, dias depois da ação de 2024, o deputado disse ter sido pego de “surpresa” e afirmou ter “total confiança de que o Poder Judiciário esclarecerá a verdade”.
O que diz a investigação atual?
Segundo a Polícia Federal, a Operação Unha e Carne mira uma organização criminosa que teria atuado no direcionamento de contratações públicas em escolas estaduais ligadas à Diretoria Regional Noroeste da Seeduc, área classificada pelos investigadores como “zona de influência política” do parlamentar.

A apuração indica que empresas previamente selecionadas pelo grupo recebiam os contratos e, depois de receber os recursos públicos, sócios ou procuradores faziam saques e transferências para outras empresas ligadas a integrantes da organização. Os valores desviados, ainda segundo a PF, eram misturados a recursos lícitos em contas de uma rede de postos de combustíveis administrada pelo líder do esquema.
A ação integra a força-tarefa Missão Redentor II, criada a partir de decisão do STF no âmbito da ADPF 635, com foco no combate à atuação de grupos criminosos no estado e na ruptura de vínculos com agentes públicos.
A defesa de Thiago Rangel não havia se manifestado publicamente sobre a prisão até o fechamento desta matéria.
Em nota, a Secretaria de Estado de Educação informou que está realizando uma revisão administrativa de todos os procedimentos relacionados às obras de manutenção e reparo nas unidades da rede estadual. A Secretaria disse ainda que segue colaborando com o Ministério Público, com o Tribunal de Contas do Estado e com os demais órgãos de controle.
A Alerj informou que está à disposição das instituições da República no que for necessário para colaborar no esclarecimento dos fatos. A Assembleia Legislativa ainda reforçou seu “compromisso com a transparência e confiança no trabalho dos órgãos competentes”.