Rio
Ré por injúria racial no Rio, argentina volta a negar intenção racista: “Reação emocional”
Agostina Páez afirma que gesto foi reação emocional e critica condução do caso
A advogada argentina Agostina Páez, ré por injúria racial após um episódio em um bar de Ipanema, na Zona Sul do Rio, voltou a se defender publicamente e afirmou que nunca teve intenção de cometer um ato racista. O caso ocorreu no dia 14 de janeiro e ganhou repercussão após a divulgação de imagens nas redes sociais.
Os vídeos mostram Páez chamando um funcionário do bar de “mono”, termo em espanhol associado a ofensa racial, além de imitar um macaco. As imagens embasaram a denúncia que resultou na abertura do processo criminal.
Em entrevista ao canal argentino El Trece TV, a advogada classificou o episódio como um “momento emocional” e disse que não imaginava a proporção que o caso tomaria. “Nunca tive a intenção de discriminar, muito menos de ser racista. Nunca”, afirmou. Segundo ela, a situação gerou medo e insegurança após a repercussão. “Jamais imaginei a gravidade de tudo aquilo e do que veio depois”.
Qual é a situação judicial da advogada?
Na quinta-feira (5), a Justiça do Rio decretou a prisão preventiva de Agostina Páez, que chegou a ficar detida na 11ª DP, na Rocinha. Horas depois, a decisão foi revogada.
Atualmente, a advogada cumpre prisão domiciliar, utiliza tornozeleira eletrônica e está proibida de deixar o Brasil enquanto responde ao processo.
Durante a entrevista, Páez criticou a atuação de um policial brasileiro envolvido no caso, afirmando que teria enfrentado dificuldades no procedimento, apesar de reconhecer que a maioria dos agentes foi respeitosa. Ela também declarou sentir que está sendo tratada de forma desigual.
O que diz a defesa sobre as provas do caso?
A advogada afirmou que sua imagem teria sido utilizada pela polícia em uma campanha contra crimes raciais, o que, segundo ela, foi humilhante. No entanto, a Polícia Civil informou que não utilizou imagens de Páez em nenhuma divulgação oficial.
“É muito humilhante. Não entendo por que fizeram isso comigo. Não sei por que me escolheram como alvo. Me perseguiram”, disse.
Páez afirmou ainda que gostaria de retornar à Argentina e acompanhar o processo à distância. Segundo ela, a defesa solicitou as gravações completas das câmeras de segurança do bar, mas apenas parte do material teria sido entregue. “Liberaram só dois vídeos. Não entregaram os outros, que são cruciais e mostram o que realmente aconteceu.”
A argentina também afirmou que novas denúncias registradas após o episódio inicial estariam contribuindo para a construção de uma imagem negativa. “Eu ainda não fui condenada e já estou sendo acusada como se fosse culpada de tudo”, declarou.