Carnaval
União do Parque Acari vai homenagear grupo de teatro negro pioneiro na Marquês de Sapucaí
União do Parque Acari resgata a história do teatro negro musical e exalta a brasilidade no desfile da Série Ouro de 2026
A União do Parque Acari definiu o enredo que levará para a Marquês de Sapucaí no Carnaval de 2026: “Brasiliana”.
Idealizado por Haroldo Costa, o tema homenageia um dos primeiros grupos de teatro negro musical do Brasil, responsável por colocar a cultura afro-brasileira no centro da dramaturgia e da música nacional, em um período em que os palcos eram dominados por produções eruditas estrangeiras.
Fundada em 1949, a companhia Brasiliana reposicionou o papel de atores e atrizes negros na construção de uma identidade teatral brasileira.
Durante quase duas décadas de atuação, o grupo percorreu o Brasil e o mundo, levando espetáculos que exaltavam a brasilidade e valorizavam manifestações culturais populares, ajudando a moldar a imagem cultural do país no exterior.
Na avenida, a União do Parque Acari propõe um movimento de continuidade desse legado, resgatando imagens históricas e revisitanto momentos marcantes da trajetória da Brasiliana.
A ideia é conectar tradição e criação, memória e invenção, mantendo viva uma página fundamental da história cultural brasileira.
Fundada em 2018, a União do Parque Acari carrega as cores rosa, amarelo e branco, tendo como símbolos a coroa e o aperto de mãos.
Após uma rápida ascensão, a escola chegou à Série Ouro em 2024 e se mantém no grupo pelo terceiro carnaval consecutivo. Para 2026, aposta em um desfile mais grandioso e colorido do que nos últimos anos.
À frente da agremiação estão o carnavalesco Guilherme Estevão, os intérpretes Leozinho Nunes e Tainara Martins e os mestres de bateria Erick Castro e Daniel Silva.
No segundo ano consecutivo no comando artístico da escola, Guilherme Estevão explicou como surgiu a escolha do enredo:
“Esse enredo era um enredo que eu tinha guardado com muito carinho dentro de uma pesquisa ampla sobre o teatro negro que já foi abordado de algumas formas na Marquês de Sapucaí, não em sua totalidade, mas que tinha no Brasiliana uma lacuna de informação, de conhecimento, uma página da nossa história basicamente esquecida, mesmo que tão importante para a construção cultural e teatral desse país.”
Segundo o carnavalesco, o desfile vai dialogar diretamente com elementos que fazem parte da identidade da União do Parque Acari, como a brasilidade e a musicalidade, desta vez enfatizadas a partir do teatro.
A narrativa do enredo começa na ancestralidade afro-brasileira, com referências aos candomblés, passa pela formação do Grupo dos Novos — primeira fase da Brasiliana — e segue por uma imersão nas culturas nordestina e do interior do país.
O desfile trará manifestações como frevo, maracatu, capoeira, a cultura dos jangadeiros e festas populares, até a consolidação da Brasiliana como teatro folclórico brasileiro.
No terceiro ato, o grupo ganha projeção internacional, tornando-se conhecido em mais de 130 países e ajudando a construir uma imagem cultural do Brasil marcada pelo samba, pelo carnaval e pela figura do malandro.
Para Guilherme Estevão, a principal mensagem do enredo é a valorização de uma parte da história brasileira que foi apagada, sobretudo pelo racismo, exaltando a memória artística e cultural do país.
A União do Parque Acari será a terceira escola da Série Ouro a desfilar na sexta-feira de carnaval, dia 13 de fevereiro.