Carnaval
Unidos da Ponte vai apresentar enredo sobre os bailes do Rio de Janeiro
Enredo celebra a história dos bailes no Rio, do lundu e do maxixe ao funk, exaltando a cultura negra, a ancestralidade e o protagonismo das periferias na Sapucaí em 2026
A Unidos da Ponte levará para a Sapucaí, em 2026, o enredo “Tamborzão, o Rio é baile, o poder é black”, uma celebração da história dos bailes na cidade do Rio de Janeiro e de sua importância cultural, social e política para as periferias.
O desfile percorre a trajetória dos bailes desde manifestações mais antigas, como o lundu e o maxixe, até os movimentos contemporâneos, com destaque para o funk.
A proposta é transformar a Avenida em um grande baile, reunindo elementos afro e atuais para resgatar a ancestralidade desses espaços de convivência, criação e resistência.
A narrativa do enredo destaca a noite como território simbólico das periferias, onde, quando a cidade silencia, o subúrbio se ilumina e faz da rua um palco.
Nos bailes, música, dança e corpo deixam de ser apenas entretenimento e passam a representar afirmação de existência, memória africana e pertencimento coletivo.
Nesse contexto, os personagens se tornam realeza em uma coroação simbólica de um povo que transforma o corpo em ferramenta de identidade, vida e potência.
A escola, fundada em 1952, representa o município de São João de Meriti e desfila atualmente na segunda divisão do carnaval, onde está desde 2019. A agremiação carrega as cores azul, marinho, índigo e branco e tem em seu histórico o título do então Grupo 1B, conquistado em 1985.
Em 2026, a Unidos da Ponte contará com os intérpretes Tiago Brito e Matheus Gaúcho, os mestres de bateria Alex Vieira e Juninho, e terá como carnavalesco Nicolas Gonçalves, que estreia na escola.
Ele explica que o processo de escolha do enredo surgiu a partir de uma pesquisa histórica ligada à própria trajetória da agremiação, e que busca um enredo que dialogue com o que a comunidade gosta de cantar e contar.
“[Durante a] pesquisa dos enredos eu encontrei um dos panfletos de convite, de divulgação dos bailes blacks, que aconteceu em muitas quadras de samba com o endereço da quadra da Unidas da Ponte.” – explicou o carnavalesco que também descobriu que muitos bailes blacks aconteciam nas quadras da escola, que eram inclusive colocados em rivalidade com as comunidades do samba e do carnaval, visando enfraquecer essas reuniões de grupos negros periféricos no Rio.
Nicolas também destaca que o desfile pretende reforçar o papel dos bailes blacks como espaços de identidade, celebração e organização coletiva da população negra e periférica.
“Cantamos e nos divertimos, mas também isso é uma forma de organização política e de fortalecimento da população negra e periférica do Rio. Por mais que a gente faça isso se divertindo, cantando e dançando, essa é a melhor maneira também de a gente se organizar politicamente e passar nossa mensagem.” – ressaltou o idealizador, que acredita que isso irá se refletir no ensino, e que não duvida de que a escola fará um grande baile, trazendo várias mensagens de empoderamento.
Na sinopse do enredo, a Unidos da Ponte reforça que a estética dos bailes, historicamente marginalizada, revela-se como expressão de realeza e da realidade das favelas, atravessando gerações, territórios e fronteiras, consolidando os bailes como protagonistas da história cultural do Rio de Janeiro.