Unidos de Padre Miguel vai homenagear guerreira indígena para tentar retornar ao grupo especial - Super Rádio Tupi
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Carnaval

Unidos de Padre Miguel vai homenagear guerreira indígena para tentar retornar ao grupo especial

Escola vai exaltar a trajetória da guerreira indígena Clara Camarão em um desfile marcado por espiritualidade, resistência e protagonismo feminino

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Foto: Tata Barreto/Riotur

Cunhã Eté, o sopro sagrado da Jurema, é o enredo da Unidos de Padre Miguel para o Carnaval de 2026. A escola levará para a avenida uma narrativa carnavalizada da trajetória de Clara Camarão, guerreira indígena nascida no Rio Grande do Norte e símbolo de resistência, liderança e protagonismo feminino.

Clara rompeu com divisões tradicionais de gênero ao ser afastada dos afazeres domésticos para atuar diretamente em batalhas.

Destacou-se por formar um pelotão próprio de mulheres e por participar de confrontos decisivos contra o domínio holandês, tornando-se uma figura histórica de coragem e organização coletiva.

Na Marquês de Sapucaí, o desfile será dividido em três momentos. No primeiro, a Unidos apresenta o nascimento simbólico de Clara Camarão, marcado pela espiritualidade indígena, pelos rituais da Jurema e pela ligação sagrada com as águas.

Em seguida, a narrativa destaca sua atuação histórica nas batalhas contra os invasores, exaltando sua liderança e a resistência do seu povo.

No encerramento, Clara deixa a história para se tornar entidade sagrada da Jurema, reencantada no carnaval como guardiã da floresta, da memória indígena e da continuidade de seu povo.

Fundada em 1957, a Unidos de Padre Miguel tem o vermelho e o branco como cores oficiais e o boi como símbolo principal.

De volta à Série Ouro após desfilar no Grupo Especial em 2025, a escola é considerada uma das favoritas ao título da categoria.

À frente da agremiação estão o carnavalesco Lucas Milato, o intérprete Bruno Ribas e o mestre de bateria Lion Jorge, que estreia no comando dos Guerreiros da Unidos.

Em 2026, Lucas assina seu terceiro trabalho pela escola e revelou que o enredo foi pensado especialmente para a UPM, presidida por uma mulher e sustentada por inúmeros pilares femininos.

Para ele, contar a história de Clara Camarão é também falar da própria identidade da Unidos de Padre Miguel.

“[…] esse foi o principal motivo de escolher Clara Camarão como enredo. E, obviamente, falar de uma mulher importante, imponente, potente, que merece o lugar de protagonismo, que merece estar no topo, que merece ser lembrada com a importância que ela, de fato, possui.”

O carnavalesco também adiantou detalhes do visual do desfile, que promete ser mais colorido e diverso.

“A gente pode esperar uma Unidos de Padre Miguel fazendo aí inevitavelmente um comparativo um pouco mais colorida do que o ano passado e uma Unidos de Padre Miguel com formas diferentes em suas alegorias, em suas fantasias, sem perder obviamente a imponência, a opulência que a nossa comunidade espera.”

O termo Cunhã Eté, presente no título do enredo, significa Mulher Intensa, Autêntica e Genuína, funcionando como um verdadeiro cartão de visitas para um desfile que promete exaltar a força de uma figura feminina histórica e nacional.

A Unidos de Padre Miguel será a quinta escola da Série Ouro a desfilar na sexta-feira de carnaval, 13 de fevereiro.