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Carnaval

Viradouro celebra mestre Ciça em desfile que transforma ritmo em memória viva

Escola homenageia o revolucionário das baterias no ano em que completa 80 anos, exaltando legado, imagens marcantes e a força coletiva do samba no Carnaval 2026

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“Pra Cima Ciça” é o enredo que a Unidos do Viradouro traz para o Carnaval 2026, onde faz uma reverência a Moacir da Silva Pinto, o mestre Ciça, e volta seus olhos para sua própria história, no ano em que completa 80 primaveras.

Criado em Estácio de Sá, no Morro de São Carlos, berço do samba, Ciça aprendeu cedo a linguagem do ritmo, se tornando por fim maestro das baterias, revolucionando as levadas. 

Fazendo da ousadia sua assinatura por todas as escolas pelas quais passou, como Unidos da Tijuca, União da Ilha e Grande Rio, Ciça transformou a bateria em um espaço de aprendizado coletivo.

Entre caixas e repiques, o diretor de bateria ensinou que o Carnaval não se faz sozinho e foi vítima das ironias da vida, já tendo desfilado tanto em homenagem ao Vasco da Gama, seu time do coração, quanto ao seu rival, o Flamengo. 

Agora, aos 70 anos de vida, mestre Caveira, como é conhecido, cruza a Sapucaí em um desfile que não fala de despedida, mas de continuidade, visto que o samba que ele criou ainda pulsa e ainda vai passar pela avenida.

Fundada em 1946, a Unidos do Viradouro tem como cores o vermelho e o branco, e mantém no comando do Carnaval da agremiação niteroiense o vitorioso Tarcísio Zanon, assim como o intérprete Wander Pires e o próprio mestre Ciça, que além de homenageado, comanda a bateria Furacão Vermelho e Branco pelo oitavo ano seguido.

Na liderança do carnaval da escola há seis anos, período que ficou marcado pela retomada da escola na disputa pelas primeiras colocações, com dois títulos conquistados pela agremiação, Tarcísio Zanon explica como deu forma a essa homenagem. 

“A gente está trazendo o visual para o ritmo. O Ciça, ele é altamente imagético também. Ele começa a carreira dele enquanto passista da Unidos do São Carlos, se torna mestre sala e leva a dança para dentro da bateria.” – descreveu Zanon, que deu exemplos de quais os grandes momentos que serão lembrados do mestre Ciça, como ele subindo na alegoria, Luma Batistas se ajoelhando, os tambores ao alto, a bateria inteira se ajoelhando, imagens criadas pelo mestre de bateria que vão além do mestre. 

Questionado sobre qual será a estética que o público vai ver, Tarcísio diz que ela será inspirada pelos grandes artistas da festa. “Ciça junto com o Paulo Barros, o Ciça junto com o Chiquinho Espinosa, com a Rosa Magalhães. […] Então, não poderia ser outra estética, a não ser a estética que ele também ajudou a construir com a sua música.”

Como um espelho em uma grande catarse, a Unidos do Viradouro desfila não apenas um enredo, mas uma verdadeira declaração de amor à mestre Ciça.

A Unidos do Viradouro será a terceira escola do grupo especial a desfilar na segunda-feira de carnaval, dia 16 de fevereiro. 

Com três títulos da primeira divisão do carnaval, a última conquista foi em 2024, com o enredo Arroboboi Dengbê, também de Tarcísio Zanon.