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Saúde

6 razões pelas quais o frio pode aumentar as dores articulares

Mudanças na rotina e baixas temperaturas podem impactar a movimentação e o bem-estar de quem já convive com dores

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As temperaturas mais baixas podem tornar dores e limitações articulares mais perceptíveis (Imagem: Kmpzzz | Shutterstock)

No frio, é comum perceber um aumento nas dores pelo corpo, principalmente nas articulações. Embora mãos e punhos sejam frequentemente lembrados quando o assunto é rigidez, os ombros e os cotovelos também sofrem impacto importante das temperaturas mais baixas. Tendinites, artrites, limitação de movimentos e dores crônicas podem se intensificar durante o inverno. 

Segundo o ortopedista Mauricio Raffaelli, especialista em ombro e cotovelo há 22 anos, o frio pode contribuir para maior rigidez muscular e articular, fazendo com que sintomas antes controlados se tornem mais perceptíveis no dia a dia.

Abaixo, o ortopedista apresenta as principais razões pelas quais o frio pode agravar desconfortos articulares. Confira!

1. O frio pode aumentar a rigidez articular logo ao acordar

Durante o inverno, é comum sentir o corpo “travado” nas primeiras horas do dia. A rigidez matinal costuma ser percebida nos ombros, nos cotovelos e nas mãos, principalmente em pessoas com processos inflamatórios articulares, histórico de dor crônica ou mobilidade reduzida. 

“No frio, existe tendência de maior contração muscular e redução espontânea dos movimentos, o que favorece rigidez articular. Muitas pessoas relatam dificuldade para movimentar ombro e cotovelo ao acordar, sensação de endurecimento e limitação temporária até o corpo aquecer e recuperar mobilidade”, explica Mauricio Raffaelli.

2. Tendinites no ombro e cotovelo podem piorar no inverno

Quem convive com tendinite ou sobrecarga muscular pode perceber aumento das dores nos dias frios. Movimentos repetitivos, esforço físico inadequado e falta de aquecimento corporal contribuem para agravar inflamações já existentes. 

“O ombro e o cotovelo têm estruturas tendíneas muito sensíveis ao excesso de esforço e à inflamação. No inverno, o desconforto costuma aumentar porque a musculatura fica menos relaxada, o corpo se movimenta menos e o paciente tende a perceber mais dor durante atividades simples”, afirma o ortopedista. 

3. Artrite pode ficar mais desconfortável nas temperaturas baixas

Embora o frio não cause artrite, pacientes com doenças inflamatórias podem notar piora dos sintomas nessa época do ano. O aumento da percepção dolorosa e a rigidez costumam interferir em tarefas básicas e reduzir a disposição física.

“Pacientes com artrite frequentemente relatam sensação de articulações mais endurecidas e doloridas durante períodos frios. O inverno não é a causa da doença, mas pode aumentar desconforto, limitação funcional e percepção de dor, especialmente nos ombros e cotovelos”, explica Mauricio Raffaelli.

Jovem alongando ombros e braços sentada no chão da sala
Manter o corpo em movimento durante o inverno ajuda a preservar a mobilidade e reduzir a rigidez articular (Imagem: PeopleImages.com – Yuri A | Shutterstock)

4. Dor crônica tende a ficar mais evidente quando o corpo se movimenta menos

Nos meses frios, muitas pessoas reduzem exercícios, permanecem mais tempo sentadas e evitam movimentação. Essa diminuição da atividade física pode favorecer a perda de mobilidade e a piora da dor persistente.

“Quando o paciente diminui o movimento por medo de dor ou desconforto, acontece o contrário do que ele imagina: a rigidez aumenta, a musculatura enfraquece e as articulações passam a sofrer ainda mais. Movimento orientado é parte importante do tratamento”, orienta o médico. 

5. O ombro é uma das articulações que mais sofrem com limitação no inverno

Pentear o cabelo, vestir roupas, dirigir ou alcançar objetos acima da cabeça podem se tornar tarefas dolorosas quando existe limitação do ombro. Tendinites, bursites e quadros inflamatórios costumam ficar mais perceptíveis em temperaturas baixas. 

“O ombro exige amplitude de movimento muito grande e qualquer processo inflamatório se torna mais evidente quando o paciente reduz a mobilidade ou fica mais tensionado pelo frio. Dor para elevar o braço ou dificuldade para dormir sobre o lado afetado merecem atenção”, afirma Mauricio Raffaelli.

6. O cotovelo também pode dar sinais de alerta silenciosos

Dores no cotovelo nem sempre aparecem apenas após esforço intenso. Atividades repetitivas no computador, academia ou tarefas domésticas podem desencadear ou agravar quadros como epicondilite, especialmente quando somados à rigidez do inverno.

“Muita gente acha que dor no cotovelo acontece só em quem pratica esporte, mas isso não é verdade. O uso repetitivo associado à tensão muscular e ao frio pode aumentar processos dolorosos e dificultar movimentos simples do dia a dia”, destaca o ortopedista.

Prevenção e cuidado precoce fazem diferença

Esperar a dor se tornar incapacitante é um erro comum. Alongamentos, fortalecimento, atividade física orientada e avaliação médica diante de sintomas persistentes ajudam a evitar piora e cronificação dos quadros articulares. 

“Dor persistente não deve ser normalizada. Quanto antes avaliamos limitação, perda de força, inflamação ou rigidez, maiores são as chances de controlar sintomas e evitar agravamento. O objetivo é manter qualidade de vida e preservar movimento”, conclui Mauricio Raffaelli.

Por Sarah Carvalho