Check-up cardiológico: entenda a importância dele para evitar infarto e AVC  - Super Rádio Tupi
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Saúde

Check-up cardiológico: entenda a importância dele para evitar infarto e AVC 

Diagnóstico precoce e controle de fatores de risco são essenciais para garantir a saúde do coração

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Alguns cuidados são essenciais para manter a saúde cardiovascular em dia, como o check-up anual (Imagem: Makistock | Shutterstock)

Organizar compromissos profissionais, planejar férias e revisar metas financeiras fazem parte da rotina anual de muitas pessoas. No entanto, o check-up cardiológico ainda costuma ficar fora dessa lista de prioridades, apesar de ser uma medida simples que pode prevenir até metade dos eventos cardiovasculares, principal causa de morte no país, de acordo com a Sociedade Brasileira de Cardiologia, e responsáveis por cerca de 400 mil óbitos anuais.

Estimativas da entidade mostram que infarto do miocárdio e acidente vascular cerebral (AVC) matam mais do que todos os tipos de câncer somados. Metade dos casos poderia ser evitada com diagnóstico precoce e controle de fatores de risco. Inserir o check-up cardiológico no calendário anual é uma decisão estratégica para reduzir riscos e aumentar a longevidade com qualidade.

Importância do diagnóstico precoce

A avaliação cardiovascular anual permite identificar alterações antes do surgimento de qualquer sintoma. O coordenador de cardiologia do Hospital Santa Catarina – Paulista, Dr. José Paulo Novazzi, explica que grande parte das doenças se desenvolve de forma silenciosa e progressiva.

“As doenças do coração podem aparecer ao longo da vida e, em suas fases iniciais, comumente não apresentam sintomas. Em um check-up de rotina, o médico pode diagnosticar doenças cardíacas em fase pré-sintomática, iniciar tratamento específico e modificar a evolução da patologia”, afirma.

Médico com estetoscópio em paciente durante consulta cardiológica em consultório
Todos os adultos devem fazer acompanhamento cardiológico a partir dos 40 anos (Imagem: Syda Productions | Shutterstock)

Exames que fazem parte do check-up cardiológico

A consulta clínica completa é sempre o primeiro passo. Nela, são avaliados hábitos, histórico familiar, queixas e sinais físicos que indicam a necessidade de exames complementares. Os exames básicos incluem glicemia, colesterol e outros marcadores metabólicos, eletrocardiograma e teste ergométrico. Dependendo da avaliação, podem ser necessários exames complementares, como ecocardiograma, monitorização ambulatorial da pressão arterial (MAPA), Holter de 24 horas para investigação de arritmias e Tilt Test nos casos de desmaios ou síncopes.

A recomendação geral é simples: todos os adultos devem fazer acompanhamento cardiológico a partir dos 40 anos. No entanto, muitas pessoas precisam iniciar antes as medidas preventivas, como os hipertensos, diabéticos, fumantes, indivíduos com colesterol elevado, obesos ou pacientes com histórico familiar de doenças cardíacas.

Quem inicia atividades físicas, como musculação ou corrida de rua, também deve realizar avaliação prévia. Crianças e adolescentes podem ser encaminhados para uma consulta cardiológica, caso pediatras identifiquem alterações clínicas ou laboratoriais que sugiram risco futuro.

Pistas e controle dos fatores de risco

Controlar fatores de risco faz diferença real nas estatísticas. O cardiologista reforça que “o tratamento dos fatores de risco modificáveis, como hipertensão, dislipidemia (alteração dos lipídios no sangue), diabetes mellitus, obesidade, tabagismo, estresse e sedentarismo, é fundamental. Estudos conclusivos mostram redução de eventos cardiovasculares e de mortalidade quando controlamos esses preditores da doença”.

Além dos exames, o corpo também envia sinais que não devem ser ignorados. Dores no peito, palpitações, desmaios, falta de ar e inchaço merecem avaliação rápida. Sinais considerados “bobos”, como tontura, dor de cabeça persistente, alterações visuais ou zumbido no ouvido, podem ser as primeiras pistas de alterações cardiovasculares que merecem atenção. “Muitas vezes, as doenças do coração exibem sintomas inespecíficos em sua fase inicial. Esse fato valoriza a importância do check-up preventivo”, afirma o médico.

Prevenção além do consultório

A prevenção não termina na porta do consultório. Alimentação equilibrada, atividade física regular, evitar o cigarro e acompanhar os próprios resultados ao longo do tempo são hábitos que reduzem riscos e ajudam a envelhecer com vitalidade.

Em resumo, se o coração trabalha 24 horas por dia, o mínimo que você pode fazer é reservar uma hora por ano para cuidar dele. Porque, quando o check-up entra na agenda, o infarto e o AVC têm muito menos chance de entrar na sua história. “As avaliações periódicas identificam os fatores de risco, a intervenção multiprofissional os modifica e o resultado é melhor qualidade de vida e maior sobrevida”, conclui o coordenador de cardiologia do Hospital Santa Catarina – Paulista.

Por Nadja Cortes