Saúde
Doenças cardiovasculares: 3 exames decisivos que podem salvar sua vida
Precisão e rapidez de diagnósticos podem mudar o desfecho clínico em casos de infarto, AVC e trombose
No Brasil, mais de 330 mil mortes prematuras, na faixa etária de 30 a 69 anos, poderiam ter sido evitadas em 2024, de acordo com dados do Datasus-SIM (Sistema de Informações sobre Mortalidade). Esse número representa vidas perdidas para doenças como hipertensão, diabetes e câncer, classificadas como Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNTs) e consideradas evitáveis, segundo o Observatório da Saúde Pública.
As doenças cardiovasculares continuam sendo a principal causa de óbitos prematuros e evitáveis nos Estados Unidos, de acordo com o relatório mais recente da American Heart Association (AHA). Esse cenário também se reflete no Brasil: somente em 2025, o país registrou 44.911 óbitos por acidente vascular cerebral (AVC) e infarto, segundo o Departamento de Análise Epidemiológica e Vigilância de Doenças Não Transmissíveis (DAENT/SVSA/MS).
Embora fatores como idade e hereditariedade não possam ser modificados, Luciana Neiva, cardiologista do São Marcos Saúde e Medicina Diagnóstica, alerta que grande parte dos riscos de doenças cardiovasculares está associada a fatores comportamentais. Assim, eles podem ser reduzidos com mudanças de hábito, como parar de fumar, praticar atividades físicas e manter uma alimentação equilibrada. Realizar check-ups de saúde com frequência também é uma medida importante para a manutenção da saúde.
Exames que podem salvar vidas
Quando a prevenção não acontece, a subsistência passa a depender da precisão e da rapidez do diagnóstico, por meio de exames capazes de orientar decisões médicas em poucos minutos, como em serviços de emergência, mudando o desfecho clínico do paciente.
“Em situações como infarto, AVC e trombose, o tempo não é contado em horas, mas em minutos. O exame certo, feito no momento correto, é o que permite iniciar o tratamento rapidamente e pode ser o fator para salvar a vida de uma pessoa”, explica a cardiologista.
A seguir, especialistas detalham três exames essenciais que podem salvar vidas. Veja!
1. Tomografia computadorizada (TC) de crânio para diagnóstico de AVC
O AVC é uma emergência médica em que “tempo é cérebro”. A cada minuto sem tratamento, milhões de neurônios são perdidos. Segundo o Dr. Diogo Goulart, neurorradiologista da clínica CDPI, a tomografia é a principal ferramenta no atendimento inicial.
“A tomografia de crânio sem contraste é o único exame estritamente necessário para autorizar a trombólise, ou seja, a conduta terapêutica que dissolve o coágulo sanguíneo no cérebro. A TC permite descartar rapidamente uma hemorragia e definir a abordagem adotada. A rapidez é o que garante que o paciente tenha menos sequelas”, afirma.

2. Dosagem de troponina: a assinatura do infarto
A troponina é uma proteína liberada no sangue quando há dano ao músculo cardíaco. Sua dosagem quantitativa é considerada o padrão ouro para o diagnóstico de Infarto Agudo do Miocárdio (IAM). “A troponina é o marcador mais sensível e específico, capaz de detectar lesões mínimas que poderiam passar despercebidas em eletrocardiogramas iniciais. A detecção precoce permite intervenções como a angioplastia em tempo hábil para salvar o tecido do coração”, comenta Luciana Neiva.
3. Dímero D: rastreador de coágulos silenciosos
Utilizado para investigar suspeitas de Trombose Venosa Profunda (TVP) e embolia pulmonar, o exame de Dímero D mede fragmentos de proteína gerados quando o organismo tenta dissolver um coágulo. Monique Morgado, hematologista dos laboratórios Sérgio Franco e Bronstein, no Rio de Janeiro, destaca o papel fundamental do teste na tomada de decisão médica.
“O Dímero D é um exame laboratorial de alta sensibilidade. Em pacientes com baixa probabilidade clínica, um resultado negativo é fundamental para excluir a trombose de forma segura. Em casos de embolia pulmonar, que pode ser fatal em poucas horas, esse exame simples é um dos primeiros sinais de alerta para a equipe médica e é decisivo para conduzir o tratamento adequado”, explica.
Por Bruno Camargos