Entenda por que as infecções urinárias aumentam entre as mulheres no inverno - Super Rádio Tupi
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Saúde

Entenda por que as infecções urinárias aumentam entre as mulheres no inverno

Hábitos do dia a dia e fatores fisiológicos influenciam a saúde urinária e aumentam o risco do problema

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Queda de temperatura, menor ingestão de água e o uso de alguns tipos de tecido podem favorecer o surgimento da cistite (Imagem: New Africa | Shutterstock)

Com a chegada do frio, cresce também o número de mulheres que relatam sintomas de infecção urinária, especialmente a cistite. As temperaturas mais baixas, aliadas à menor ingestão de líquidos e a alterações na rotina, criam um cenário propício para a proliferação de bactérias no trato urinário. Embora seja uma condição comum, pode causar bastante desconforto e impactar diretamente a qualidade de vida.

A tendência de aumento dos casos no inverno não é por acaso. Há uma combinação de fatores comportamentais e fisiológicos que favorecem o surgimento da infecção. Entender esses pontos é fundamental para prevenir e agir rapidamente diante dos primeiros sinais.

A seguir, confira 6 fatores que aumentam o risco de infecção urinária no inverno!

1. Menor ingestão de água

Durante os dias frios, a sensação de sede costuma diminuir, o que faz com que muitas pessoas reduzam o consumo de água sem perceber. Esse hábito interfere diretamente no funcionamento do sistema urinário, já que a hidratação é essencial para ajudar o organismo a eliminar bactérias.

“[…] Quando a pessoa urina menos, ela perde um mecanismo natural de defesa do organismo, que é justamente ‘lavar’ o trato urinário. Esse cenário facilita a permanência e a multiplicação de microrganismos, aumentando significativamente o risco de infecção urinária”, explica o urologista Dr. Sergio Souza.

2. Urinar com menos frequência

Além de beber menos líquidos, outro comportamento típico do frio é adiar a ida ao banheiro. Seja por conforto ou rotina, muitas pessoas acabam segurando a urina por mais tempo, o que pode ser prejudicial.

“Quando a urina permanece por longos períodos dentro da bexiga, ela se torna um ambiente extremamente favorável para a proliferação de bactérias. Isso acontece porque há tempo suficiente para que esses microrganismos se multipliquem e iniciem um processo infeccioso. O ideal é não segurar a urina e manter uma frequência regular ao longo do dia, respeitando os sinais do corpo”, orienta o ginecologista Dr. César Patez.

3. Alimentação inadequada

A alimentação também desempenha um papel importante na proteção do organismo, especialmente em períodos em que a imunidade pode estar mais sensível, como no outono e no inverno.

“No período mais frio, é comum que a qualidade da alimentação mude, com menor consumo de alimentos frescos e maior ingestão de opções mais calóricas e menos nutritivas. Isso impacta diretamente o sistema imunológico. Quando o corpo não recebe os nutrientes necessários, ele fica mais vulnerável a infecções, incluindo as urinárias. Por isso, manter uma alimentação equilibrada é uma estratégia importante de prevenção”, destaca Laita Balbio, nutricionista do Espaço Hi.

Médica com cabelo liso, solto usando jaleco branco fazendo anotações em prancheta e paciente sentada de frente pra médica com o cabelo liso semi preso e usando camisa de manga longa laranja-clara
Fatores anatômicos tornam as mulheres mais suscetíveis à infecção urinária, especialmente à cistite (Imagem: Syda Productions | Shutterstock)

4. Anatomia feminina

A maior incidência de cistite entre mulheres também está relacionada a fatores anatômicos, que facilitam a entrada de bactérias no trato urinário. “A anatomia feminina contribui diretamente para esse cenário, já que a uretra é mais curta e está mais próxima da região anal, o que facilita a migração de bactérias até a bexiga. Quando isso se associa a fatores como baixa ingestão de água ou hábitos inadequados, o risco de infecção aumenta ainda mais. Por isso, as mulheres acabam sendo mais suscetíveis a esse tipo de problema”, explica Dr. Sergio Souza.

5. Roupas apertadas e tecidos inadequados

Durante o inverno, o uso de roupas mais justas e tecidos sintéticos se torna mais frequente, o que pode interferir no equilíbrio da região íntima. “O uso constante de roupas muito apertadas ou de tecidos que não permitem uma ventilação adequada pode criar um ambiente mais úmido e abafado na região íntima. Esse cenário favorece o desequilíbrio da flora local e facilita a proliferação de bactérias. Sempre que possível, o ideal é optar por peças mais confortáveis e tecidos que permitam maior respirabilidade”, orienta o Dr. César Patez.

6. Queda da imunidade

As temperaturas mais baixas também podem impactar o funcionamento do organismo como um todo, inclusive a resposta imunológica. “O frio pode interferir na resposta do sistema imunológico, deixando o organismo mais vulnerável. Quando isso se soma a outros fatores comuns dessa época, como menor ingestão de líquidos e mudanças na alimentação, o risco de infecções aumenta. Por isso, é importante olhar para a saúde de forma integrada, considerando todos esses aspectos”, explica Laita Balbio.

Sintomas devem ser tratados rapidamente

Os sinais da cistite costumam aparecer de forma clara e não devem ser ignorados. Quanto mais rápido o diagnóstico, menores são as chances de complicações. “Sintomas como ardência ao urinar, aumento da frequência urinária, urgência e desconforto na região pélvica são indicativos de infecção urinária e precisam ser avaliados o quanto antes. O tratamento precoce é fundamental para evitar a progressão do quadro e garantir uma recuperação mais rápida e segura”, conclui o urologista Dr. Sergio Souza.

Por Sarah Carvalho