Fome noturna: 11 dicas para controlar a vontade de comer doce à noite - Super Rádio Tupi
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Saúde

Fome noturna: 11 dicas para controlar a vontade de comer doce à noite

Alimentação, hábitos e emoções podem interferir na preferência por comidas calóricas antes de dormir

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A fome noturna reflete como o dia foi conduzido (Imagem: Andrey_Popov | Shutterstock)

É comum ouvir pessoas relatarem que, ao final do dia, surge uma vontade quase incontrolável de comer um doce, seja chocolate, sobremesa ou qualquer alimento açucarado. Mais do que um simples hábito, esse comportamento está ligado a fatores que envolvem desde a rotina alimentar até o funcionamento hormonal e emocional do organismo. Na prática, a chamada “fome noturna” costuma refletir como o dia foi conduzido.

Segundo a Dra. Alana Rocha, médica e professora da pós-graduação em Endocrinologia da Afya Vitória, o corpo funciona em ciclos e espera regularidade alimentar. “Quando há longos intervalos sem comer, refeições apressadas ou desequilibradas, o organismo tende a compensar à noite, aumentando o apetite e a preferência por opções mais calóricas e de rápida absorção”, explica. Esse padrão é ainda mais comum em rotinas estressantes e jornadas prolongadas.

A privação de sono e o cansaço acumulado também interferem nesse processo. “A leptina, hormônio ligado à saciedade, quando desregulada, pode favorecer quadros como a síndrome do comer noturno”, destaca. Além disso, alterações naturais do período, como a queda do cortisol e o aumento da melatonina, influenciam o apetite. “A exposição à luz azul de celulares, computadores e lâmpadas de LED interfere na produção de melatonina, prejudica o sono e pode contribuir para o aumento da fome à noite”, acrescenta a médica.

Relação entre emoções e fome noturna

Mas não é só o corpo que explica a fome noturna. As emoções também têm papel central. De acordo com a Dra. Fernanda Miranda, médica e professora da pós-graduação em Psiquiatria da Afya Itaperuna, o período noturno pode aumentar a vulnerabilidade emocional. “Ao fim do dia, há fadiga mental, redução do autocontrole e menos distrações externas, o que intensifica sentimentos como ansiedade e estresse”, explica. 

Esse cenário também envolve mudanças cognitivas, como menor capacidade de regular pensamentos e maior tendência à impulsividade. Dessa forma, os doces assumem uma forma rápida de conforto. “Alimentos ricos em açúcar e gordura ativam circuitos de recompensa no cérebro, gerando prazer imediato, mas de curta duração”, afirma. Esse mecanismo ajuda a explicar o uso frequente das chamadas comfort foods como estratégia de alívio emocional.

Com o tempo, essa associação se fortalece e o alimento passa a ser vinculado ao relaxamento e pode se tornar um hábito automático, acionado por fatores como horário ou estado emocional, mesmo sem fome física. Trata-se de um padrão aprendido, no qual comer funciona tanto como fonte de prazer quanto como forma de aliviar emoções desconfortáveis, uma recompensa imediata, mas nem sempre saudável.

prato branco com salada com alface e frango. duas mãos em volta
Manter uma alimentação equilibrada ao longo do dia aumenta a saciedade e evita a fome noturna (Imagem: New Africa | Shutterstock)

Como a alimentação diária influencia a fome noturna

Do ponto de vista nutricional, a organização das refeições ao longo do dia é determinante. Segundo a Dra. Marcela Reges, médica e professora de Nutrologia da Afya Goiânia, longos períodos em jejum favorecem a fome intensa à noite.

“Quando a pessoa passa muitas horas sem se alimentar, o corpo entra em alerta energético, com aumento da grelina [hormônio da fome] e maior busca por alimentos calóricos”, explica. Ela reforça que isso não é apenas falta de controle, mas uma resposta do organismo tentando compensar o que faltou durante o dia. Por isso, a preferência por doces aumenta por oferecer energia rápida e sensação imediata de prazer, especialmente diante do cansaço.

Estratégias para controlar a fome noturna

Controlar a fome noturna exige atenção tanto à alimentação quanto aos hábitos da rotina. Pequenas mudanças ao longo do dia podem ajudar a reduzir a vontade de comer doces antes de dormir. Para isso, as especialistas sugerem:

  1. Não pule as refeições ao longo do dia: manter horários regulares evita picos de fome no período noturno.
  2. Evite longos períodos em jejum: ficar muitas horas sem comer aumenta a fome e favorece escolhas impulsivas.
  3. Invista em refeições equilibradas: inclua proteínas, fibras e gorduras boas para maior saciedade e estabilidade glicêmica.
  4. Atenção ao jantar: refeições muito leves ou insuficientes podem favorecer a fome horas depois.
  5. Evite alimentos ultraprocessados e priorize comida de verdade: preparar refeições em casa ajuda no controle da qualidade alimentar.
  6. Durma bem e reduza a exposição à luz azul à noite: isso ajuda a regular hormônios como a melatonina e melhora o controle do apetite.
  7. Tenha alternativas mais saudáveis para a sobremesa: chocolate amargo (70% cacau ou mais), iogurte com cacau ou sobremesas proteicas são boas opções.
  8. Observe se o desejo é físico ou emocional: perguntas como “estou com fome ou estou cansado, ansioso ou frustrado?” ajudam a identificar o padrão.
  9. Evite restrições muito rígidas: quanto maior for a restrição ao longo do dia, maior será a chance de descontrole à noite.
  10. Planeje um lanche noturno equilibrado: isso reduz decisões impulsivas.
  11. Busque outras formas de regulação emocional: atividades como ouvir música, caminhar, tomar um banho relaxante, ler ou praticar respiração ajudam a quebrar o ciclo do comer por impulso.

Por Beatriz Felicio