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Por que a culpa materna pesa tanto e como ela pode afetar a saúde mental? Veja como lidar com esse sentimento

Especialista explica como identificar sinais de sofrimento emocional e quais formas de apoio podem ajudar as mães durante a gestação e o puerpério

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O peso de tentar ser uma mãe perfeita pode ir além da culpa e contribuir para a depressão (Imagem: Lee Charlie | Shutterstock)

A maternidade envolve mudanças, responsabilidades e cobranças que podem tornar a rotina emocionalmente desafiadora. Entre as expectativas de cuidar do filho, conciliar outras áreas da vida e dar conta de diferentes demandas, muitas mães acabam se cobrando além dos próprios limites. Essa pressão pode alimentar a culpa materna, um sentimento que, quando se torna constante, pode comprometer o bem-estar emocional e contribuir para problemas como depressão e burnout materno.

Para lidar com essas questões, informação e acolhimento são importantes. Muitas vezes, a falta de conhecimento sobre saúde mental pode aumentar o receio e a insegurança das mães. Por isso, durante o Setembro Amarelo, mês voltado para a campanha brasileira de prevenção ao suicídio, a psicóloga perinatal Rafaela Schiavo, fundadora do Instituto MaterOnline, esclarece as dúvidas mais comuns sobre culpa materna e traz dicas para ajudar as mães a lidar com esses sentimentos.

O que é a culpa materna e por que acontece tanto?

A culpa materna é um sentimento que surge por conta das junções sociais, pessoais e a realidade da maternidade. Muitas mães se sentem culpadas por não conseguirem atender a todas as demandas e expectativas que a sociedade e elas mesmas impõem. Essa pressão cultural pode fazer com que muitas mulheres se sintam culpadas por quererem trabalhar ou por outras escolhas pessoais. É quase como se a culpa fosse uma sombra que acompanha a maternidade. Reconhecer e questionar essas expectativas é um passo importante para se sentir melhor.

Como a culpa materna pode evoluir para depressão?

Se a culpa materna não for abordada, pode evoluir para quadros de depressão. A sobrecarga emocional, a falta de suporte e a idealização da maternidade são fatores que aumentam o risco de depressão, especialmente no período do puerpério.

Uma mulher sentada em um sofá segura seu bebê no colo enquanto olha atentamente para a terapeuta. De costas para a foto, a terapeuta anota informações em uma prancheta durante a consulta.
Tristeza persistente, falta de energia e dificuldade de conexão com o bebê são sinais que merecem atenção e podem indicar a necessidade de buscar ajuda profissional (Imagem: PeopleImages | Shutterstock)

Quando é hora de buscar ajuda profissional?

Se a mãe sentir tristeza persistente, falta de energia, dificuldade de conexão com o bebê ou pensamentos negativos, é importante procurar ajuda. A depressão pode surgir na gestação ou até um ano após o parto, e o acompanhamento psicológico pode ser importante para o bem-estar da mãe e do bebê.

A psicologia perinatal oferece suporte especializado para gestantes e puérperas. O tratamento pode ser realizado por meio de sessões individuais, em grupo ou familiares, que ajudam a mãe a lidar com os desafios emocionais da maternidade e a prevenir problemas mais graves.

Dicas para lidar com a culpa materna e a depressão

Todas as mães se sentem cansadas ou frustradas em algum momento. O importante é saber que isso não te faz uma mãe ruim. Aceitar e conversar sobre esses sentimentos, por exemplo, pode fazer a diferença. Além disso, algumas atitudes simples podem contribuir para aliviar a culpa e fortalecer o bem-estar emocional durante a maternidade, como:

  1. Seja gentil consigo: entenda que está tudo bem em não ser uma mãe perfeita, porque mães perfeitas, além de não existirem, poderiam prejudicar o desenvolvimento do filho. Não é esperado que as pessoas tenham mães perfeitas, mas sim mães possíveis ou suficientemente boas;
  2. Cuide de si mesma: é muito importante reservar um tempo para cuidar da sua mente e do seu corpo;
  3. Converse com seu obstetra: peça indicações de psicólogos perinatais e se informe sobre a nova Lei 14.721, que garante suporte psicológico gratuito pelo SUS;
  4. Participe de grupos de apoio: compartilhar experiências com outras mães ajuda a reduzir o sentimento de culpa e fortalece o suporte emocional;
  5. Busque ajuda profissional quando necessário: se a culpa e a tristeza forem persistentes, buscar apoio de um profissional de saúde mental pode ajudar a evitar a evolução para depressão.

Por Chris Coelho