Por que o cérebro humano sente prazer em filmes de terror: a ciência explica o que acontece durante sustos - Super Rádio Tupi
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Saúde

Por que o cérebro humano sente prazer em filmes de terror: a ciência explica o que acontece durante sustos

Como os filmes de terror transformam o medo em satisfação por meio da ação da adrenalina e do cortisol no organismo.

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Casal aterrorizado no sofá assistindo TV, mulher e homem com bocas e olhos arregalados
Casal experimenta o pânico controlado de um filme de terror, um processo que o cérebro transforma em uma sensação de prazer e alívio [Créditos: depositphotos.com / nullplus]

Pode parecer estranho buscar voluntariamente o pânico em uma sala escura, mas a atração por filmes de terror é um fenômeno comum. Esse gosto pelo medo controlado tem uma explicação clara na forma como nosso cérebro processa o perigo e o prazer.

Essa sensação é, na verdade, uma montanha-russa bioquímica que acontece dentro de nós. O cérebro primitivo reage às cenas de susto como se fossem uma ameaça real, liberando um coquetel de adrenalina e cortisol que nos deixa em estado de alerta.

Como o cérebro transforma medo em prazer?

A chave para essa conversão está na percepção de segurança. O córtex pré-frontal, área responsável pelo raciocínio, rapidamente nos avisa que a ameaça não é real, pois estamos seguros assistindo a um filme. Esse reconhecimento é fundamental para iniciar a transição do pânico para o prazer.

Quando a ameaça na tela desaparece, o cérebro libera uma onda de neurotransmissores de bem-estar, como dopamina e endorfinas. O resultado é uma sensação de euforia e alívio, um verdadeiro “barato” neurológico que muitas pessoas acham gratificante.

Então, assistir a um filme de terror pode aliviar o estresse?

Sim, por mais contraintuitivo que pareça. Estudos sobre os efeitos fisiológicos em espectadores do gênero mostram que, após o pico de tensão, muitos participantes relatam níveis mais baixos de ansiedade e uma sensação de relaxamento profundo.

Esse processo funciona como uma catarse. Ao vivenciar o medo em um ambiente controlado, o espectador consegue descarregar emoções reprimidas e tensões acumuladas, sentindo-se mais calmo e até mais confiante após a sessão.

Mas esse efeito funciona para todo mundo?

Homem assustado assiste TV no escuro, com cobertor, controle e pipoca
A atração pelo medo em filmes de terror libera neurotransmissores que transformam a tensão em prazer e alívio para muitos espectadores [Créditos: depositphotos.com / TheVisualsYouNeed]Créditos: depositphotos.com / TheVisualsYouNeed

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A atração pelo terror não é universal e depende de fatores individuais. Pessoas com maior sensibilidade à ansiedade ou que já viveram traumas podem ter o efeito contrário, com o cérebro interpretando a ficção como uma ameaça genuína e prolongada.

A experiência de cada um varia, pois a capacidade de se distanciar da ficção é o que define se o medo será divertido ou apenas angustiante. Portanto, a escolha de se expor a esse tipo de entretenimento é algo muito pessoal.

A experiência de sentir medo no cinema funciona como uma simulação de perigo para o cérebro, com a vantagem de que o corpo permanece totalmente a salvo.