Saúde
Rugas de expressão: tensão emocional e hábitos faciais aceleram o surgimento delas
Manter uma rotina saudável e investir em cuidados diários pode ajudar a preservar a elasticidade e a aparência da pele por mais tempo
O surgimento de rugas de expressão nem sempre está ligado apenas aos sinais mais avançados do envelhecimento. Além da idade cronológica, fatores como o estado emocional e até hábitos do dia a dia podem influenciar diretamente no aparecimento de linhas mais marcadas no rosto.
“Existe uma relação bem estabelecida entre estresse, ansiedade e o surgimento de rugas de expressão. O estresse leva à contração repetitiva e involuntária da musculatura facial, principalmente em regiões ligadas às emoções. Com o tempo, essas contrações constantes transformam rugas dinâmicas em marcas estáticas”, explica o dermatologista Julian Fraga.
Segundo o médico, além do fator mecânico, há também um impacto bioquímico importante do estado emocional no aparecimento das rugas. “O estresse crônico aumenta a liberação de cortisol, que contribui para a degradação de colágeno e elastina, acelerando o envelhecimento da pele”, completa.
Quando as linhas temporárias se tornam permanentes
As regiões mais afetadas são a testa, a glabela (entre as sobrancelhas) e a região periorbital. “São áreas extremamente ativadas por expressões como preocupação, concentração e irritação. A musculatura frontal e corrugadora está em constante uso, o que favorece a formação precoce de linhas”, detalha Julian Fraga.
Inicialmente, essas marcas surgem como linhas dinâmicas, visíveis apenas durante a contração muscular. No entanto, podem se tornar permanentes. “Com a repetição contínua e a perda de elasticidade da pele, essas linhas passam a ser visíveis mesmo em repouso. Esse processo pode acontecer em poucos anos, principalmente quando associado a estresse crônico, exposição solar e predisposição genética”, afirma.

Hábitos do dia a dia que favorecem rugas
O dermatologista chama atenção para o aumento de casos em pacientes jovens. “É cada vez mais comum ver pessoas abaixo dos 30 anos com rugas de expressão. Ansiedade, hiperatividade muscular facial e hábitos repetitivos e inconscientes são fatores importantes nesse cenário”, diz.
Entre os hábitos cotidianos que contribuem para o problema, estão o uso excessivo de telas, a privação de sono e as chamadas posturas faciais repetitivas. “Franzir a testa ao focar, contrair a região entre as sobrancelhas em momentos de preocupação, apertar os lábios, tensionar a mandíbula ou semicerrar os olhos são movimentos que, quando repetidos ao longo do dia, formam microdobras na pele que tendem a se fixar”, explica.
Outros fatores, como tabagismo, exposição solar e até a postura ao utilizar o celular, também agravam o quadro, tanto pelo impacto mecânico quanto pela piora da qualidade cutânea.
Como prevenir e tratar as rugas de expressão
Para prevenção das rugas de expressão, Julian Fraga reforça uma abordagem multifatorial: “Fotoproteção diária é essencial para preservar colágeno. Além disso, controle do estresse, atividade física, sono adequado e conscientização dos hábitos faciais fazem muita diferença. Dermocosméticos com antioxidantes e retinoides também ajudam”, orienta.
Nos casos em que as marcas começam a se tornar visíveis, a avaliação médica é fundamental. “A toxina botulínica segue como padrão-ouro para rugas de expressão, pois reduz a contração muscular. Podemos associar lasers para textura e estímulo de colágeno, bioestimuladores para firmeza e, em alguns casos, preenchedores com ácido hialurônico”, afirma.
Por fim, ele destaca a importância de não tratar apenas o sintoma. “O melhor resultado vem quando combinamos tratamento estético com reeducação de hábitos e controle dos fatores emocionais. Não é só sobre rugas, é sobre comportamento e saúde da pele como um todo”, conclui.
Por Gabriela Andrade