Saúde
Síndrome do mouse: 5 dicas para evitar dores nos ombros e nos cotovelos no home office
Veja como algumas adaptações podem ajudar a prevenir desconfortos e garantir mais bem-estar durante o trabalho
Com a retomada do ritmo profissional após o período de férias e o aumento das horas em frente ao computador, cresce também a preocupação com problemas relacionados à ergonomia, especialmente entre trabalhadores em home office ou no modelo híbrido. A chamada “síndrome do mouse” reúne uma série de dores e disfunções causadas pelo uso repetitivo do mouse e do teclado associado à postura inadequada.
Embora o nome remeta apenas ao uso do computador, o problema envolve toda a estrutura responsável pelos movimentos dos braços, incluindo músculos, tendões, ombros, cotovelos e a cintura escapular. Quando essa região permanece sobrecarregada por longos períodos, podem surgir dores que irradiam para o pescoço, braços e até para o tórax.
Segundo o ortopedista Maurício Raffaelli, a prevenção depende principalmente de mudanças simples na rotina de trabalho e da atenção aos primeiros sinais do corpo. “A dor relacionada ao trabalho diante do computador não deve ser vista como algo normal. Pequenas adaptações no ambiente, associadas a pausas e cuidados com a postura, podem evitar que um desconforto inicial evolua para uma lesão mais difícil de tratar”, explica.
A seguir, confira 7 dicas para prevenir a Síndrome do Mouse:
1. Ajuste a postura durante o trabalho
A posição adotada ao longo do expediente influencia diretamente a sobrecarga sobre músculos e articulações. Permanecer com os ombros elevados, braços sem apoio ou coluna curvada aumenta a tensão na região cervical e nos membros superiores.
O ideal é manter a coluna apoiada, os pés totalmente no chão e os cotovelos próximos ao corpo, formando aproximadamente um ângulo de 90 graus. “Quando o trabalhador permanece horas utilizando o computador sem apoio adequado para os braços, a musculatura dos ombros fica em contração constante. Esse esforço contínuo altera o funcionamento da cintura escapular e favorece o surgimento de dores que podem se espalhar para outras regiões”, afirma Maurício Raffaelli.
2. Posicione corretamente o mouse e o teclado
O uso repetitivo do mouse exige movimentos constantes dos tendões e músculos do antebraço. Quando o equipamento fica distante ou em uma posição desconfortável, aumenta a necessidade de esforço para realizar tarefas simples.
Manter teclado e mouse próximos ao corpo, com o antebraço apoiado, reduz a pressão sobre os tendões e evita sobrecarga nos cotovelos e ombros. “A posição dos equipamentos influencia diretamente o esforço realizado durante o dia. Muitas vezes, o problema não está apenas no tempo de uso do computador, mas na forma como esse uso acontece”, explica.
3. Faça pausas durante o expediente
Permanecer várias horas na mesma posição aumenta a tensão muscular e reduz a circulação adequada nas estruturas envolvidas no movimento. Pequenos intervalos ao longo do dia ajudam o corpo a recuperar a mobilidade e diminuem a sobrecarga acumulada.
“O corpo humano não foi feito para permanecer parado por longos períodos. Pausas de alguns minutos a cada hora de trabalho, acompanhadas de movimentos simples para pescoço, ombros, punhos e braços, já contribuem para reduzir a tensão muscular”, orienta o ortopedista.

4. Ajuste a altura do monitor
Trabalhar olhando constantemente para baixo ou para cima força a musculatura cervical e pode provocar dores no pescoço, nos ombros e na parte superior das costas. O monitor deve ficar aproximadamente na altura dos olhos, permitindo que a cabeça permaneça alinhada durante o trabalho.
“A ergonomia não depende apenas da cadeira ou do computador. A posição da tela também interfere na postura. Pequenos ajustes evitam compensações musculares que, ao longo dos meses, podem gerar dor crônica”, explica.
5. Evite improvisar o ambiente de trabalho
Mesas muito baixas, cadeiras sem apoio adequado e ausência de suporte para os braços são situações comuns no home office e podem contribuir para o aparecimento das dores. Investir em um ambiente minimamente adaptado é uma medida de prevenção, e não apenas uma questão de conforto.
“Muitas pessoas utilizam equipamentos modernos, mas trabalham em estruturas improvisadas durante horas todos os dias. A ergonomia passou a ser uma questão de saúde, porque previne lesões que podem comprometer a produtividade e a qualidade de vida”, destaca Maurício Raffaelli.
Não ignore as dores e procure um médico
Sensação de peso nos ombros, dor na parte externa do cotovelo, rigidez no pescoço, dificuldade para levantar os braços e formigamentos são sinais que merecem atenção. A chamada síndrome do mouse pode estar associada a inflamações como tendinites e epicondilite, conhecida popularmente como “cotovelo do tenista”, mesmo em pessoas que não praticam esportes.
“A dor nem sempre aparece exatamente no local onde está o problema. Alterações na cintura escapular podem causar desconforto no pescoço, entre as escápulas, no braço e até no peito. Em alguns casos, o paciente pode até confundir com outras condições de saúde”, alerta Maurício Raffaelli.
Ignorar sintomas iniciais pode permitir que pequenas inflamações evoluam para problemas mais complexos, com limitação dos movimentos e necessidade de tratamentos prolongados. A avaliação de um especialista ajuda a identificar a origem da dor e indicar o tratamento adequado.
“Dor não deve ser considerada uma consequência natural do trabalho. Quanto mais cedo o paciente procura atendimento, maiores são as chances de corrigir a causa do problema antes que ele se transforme em uma lesão persistente”, afirma o ortopedista.
Por Sarah Carvalho