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A maior cidade do interior do Brasil que não é capital, mas tem 1,18 milhão de habitantes e a universidade que mais registra patentes do país

A maior cidade do interior brasileiro abriga a universidade que mais registra patentes no país.

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A Unicamp foi fundada em 1962 e teve a pedra fundamental do campus lançada em 5 de outubro de 1966. / Imagem ilustrativa

A 98 km de São Paulo, Campinas nasceu como pouso de tropeiros no século XVIII e virou o segundo município mais populoso do estado fora da capital. A cidade do interior abriga a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e responde por boa parte da pesquisa científica brasileira.

Da Estrada dos Goiases ao café que mudou tudo

O povoamento começou em meados do século XVIII com um pouso de tropeiros que seguiam para as minas de ouro pela Estrada dos Goiases. O bairro rural virou Freguesia de Nossa Senhora da Conceição das Campinas do Mato Grosso em 1774, data oficial da fundação.

No século XIX, a cidade despontou como uma das maiores produtoras de café do Brasil. A riqueza atraiu italianos, alemães e espanhóis, e o ciclo cafeeiro deixou casarões, fazendas históricas e a Companhia Mogiana de Estradas de Ferro como herança visível até hoje.

Cidade do interior de SP surpreende ao liderar ranking de organização no Brasil
A cidade combina patrimônio histórico, áreas verdes e passeios que extrapolam o roteiro óbvio. (Créditos: depositphotos.com / Ranimiro)

Por que Campinas virou referência em ciência?

A Unicamp foi fundada em 1962 e teve a pedra fundamental do campus lançada em 5 de outubro de 1966, numa gleba doada a 12 km do centro. Diferente das outras universidades brasileiras, foi projetada do zero como sistema integrado de centros de pesquisa.

Hoje a instituição é a maior produtora de patentes do país, e quase metade dos alunos faz pós-graduação. Ao redor dela cresceram empresas de tecnologia, laboratórios e centros como o CNPEM, que reforçam a vocação científica campineira.

Como é viver na cidade interiorana mais populosa do Brasil?

Campinas tem 1.187.974 habitantes pela estimativa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) para 2025, com IDHM de 0,805 e taxa de escolarização de 98,17% entre 6 e 14 anos. O PIB per capita passa de R$ 80 mil.

O dia a dia mistura bairros movimentados como Cambuí, com bares e cafés, e regiões mais residenciais como Barão Geraldo, no entorno da universidade. A Região Metropolitana reúne 20 municípios e 3,3 milhões de pessoas, o que explica o trânsito intenso nos horários de pico.

O que fazer em Campinas além dos parques urbanos?

A cidade combina patrimônio histórico, áreas verdes e passeios que extrapolam o roteiro óbvio. Algumas atrações ficam a poucos minutos do centro, outras pedem meio dia de programa.

  • Lagoa do Taquaral: parque Portugal com 800 mil m², pista de cooper, planetário e réplica da nau de Cabral em escala real.
  • Bosque dos Jequitibás: parque centenário no centro, com minizoológico, aquário e Museu de História Natural.
  • Maria Fumaça Campinas-Jaguariúna: 48 km de ferrovia histórica que já serviu de cenário para novelas como Terra Nostra e Sinhá Moça.
  • Observatório Jean Nicolini: no Monte Urânia, em Joaquim Egídio, distante da poluição luminosa, abre aos domingos para observação do céu.
  • Torre do Castelo: caixa d’água em formato de castelo medieval com mirante panorâmico da cidade.
  • Catedral Metropolitana: construída a partir de 1807, abriga o maior altar de jacarandá esculpido do Brasil.

Leia também: A cidade que foi a maior mina de diamantes do mundo e ainda toca música nas sacadas.

O que se come no roteiro gastronômico campineiro?

A herança italiana e a vida universitária moldaram a cena gastronômica. O Cambuí concentra restaurantes autorais, enquanto bairros tradicionais guardam receitas de fazenda.

  • Massas artesanais: nhoque, ravioli e canelone servidos em cantinas familiares com receitas trazidas pelos imigrantes do século XIX.
  • Café especial: cafés de origem e cafeterias autorais ganharam espaço em Barão Geraldo e no Cambuí, herança direta do ciclo cafeeiro regional.
  • Quibebe de abóbora: prato caipira servido com frango caipira e arroz, presente em restaurantes da zona rural campineira.
  • Doces de tacho: figo, abóbora e laranja vendidos em feiras tradicionais e no Mercado Municipal.
Três cidades do Brasil com melhor qualidade de vida
Campinas reúne herança cafeeira, vida universitária e uma infraestrutura urbana raras de encontrar fora das capitais. (SP) – Créditos: depositphotos.com / PedroTruffi

Quando o clima favorece cada passeio em Campinas?

A cidade tem clima tropical de altitude, com inverno seco e verão chuvoso. As tardes de janeiro e fevereiro costumam render pancadas rápidas de chuva.

☀️ Verão Dez – Fev
Temp: 19-30°C
Chuva: Alta
Estação quente que convida a aproveitar as áreas verdes e os **parques pela manhã**, antes do aumento das temperaturas e das chuvas da tarde.
🍂 Outono Mar – Mai
Temp: 15-27°C
Chuva: Média
Clima agradável e ideal para realizar o tradicional passeio de **Maria Fumaça** e explorar as belas **fazendas** históricas da região.
❄️ Inverno Jun – Ago
Temp: 10-24°C
Chuva: Baixa
Dias secos e noites limpas, perfeitos para a contemplação no **observatório** e para visitas culturais aos variados **museus** locais.
🌸 Primavera Set – Nov
Temp: 14-28°C
Chuva: Média
Com a paisagem mais colorida, o período é excelente para caminhar pelos **bosques** e desfrutar de momentos relaxantes em charmosas **cafeterias**.

Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.

Como chegar à terra da Unicamp?

Campinas fica a 98 km de São Paulo pela Rodovia dos Bandeirantes ou pela Anhanguera, cerca de 1h20 de carro. O Aeroporto Internacional de Viracopos recebe voos nacionais e internacionais, e ônibus partem do Terminal Tietê a cada poucos minutos.

Vale conhecer a metrópole do interior paulista

Campinas reúne herança cafeeira, vida universitária e uma infraestrutura urbana raras de encontrar fora das capitais. É difícil pensar em outra cidade brasileira que combine assim ciência de ponta, parques centenários e cantinas italianas no mesmo dia.

Você precisa visitar Campinas e entender por que a maior cidade interiorana do Brasil segue crescendo sem perder a alma de pouso de tropeiros que a fundou.