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Antes de embarcar para os EUA, Flávio gravou vídeo dizendo que nunca pensou em sair do Brasil

Parlamentar embarcou em segredo com a família rumo à Flórida; PF notificou o STF após fim do prazo para entrega dos documentos retidos por Moraes

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Close-up do senador Flávio Bolsonaro, com expressão neutra, olhando diretamente para frente
Flávio Bolsonaro no vídeo em que negou intenção de deixar o país e classificou a ordem de retenção do passaporte como perseguição. Foto: Reprodução

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) viajou para os Estados Unidos com a mulher e as duas filhas nesta terça-feira (27/10). A partida ocorreu um dia após o parlamentar, derrotado na disputa presidencial, negar publicamente que pretendia deixar o território nacional e afirmar que entregaria seus documentos às autoridades.

“Nunca pensei em sair do país. Vou entregar meus passaportes e vou me defender dessa aberração, que é uma clara tentativa de me intimidar. Mas ninguém vai me calar”, afirmou em vídeo divulgado.

Como o congressista não repassou os passaportes comum e diplomático dentro do prazo estipulado, encerrado no início de terça-feira, a Polícia Federal realizou o cancelamento dos documentos e comunicou o Supremo Tribunal Federal.

Articulação da viagem e chegada aos Estados Unidos

Um círculo próximo de aliados no Brasil e nos Estados Unidos articulou a ida ao exterior em segredo para impedir vazamentos prévios. Interlocutores do político relataram a expectativa de desembarque com os familiares na Flórida até o final da tarde. A equipe governamental de Donald Trump já recebeu aviso sobre a chegada.

Inquérito sobre lavagem de dinheiro

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, ordenou a retenção documental. O magistrado atua como relator de inquérito que apura suposta lavagem de dinheiro com ligação a plataformas de pagamento e empresas de apostas. A apuração investiga o senador e o advogado Willer Tomaz.

Policiais federais abordaram e notificaram Flávio na segunda-feira (26/10). O contato ocorreu logo depois de o senador visitar o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, no condomínio Solar de Brasília, localizado no Jardim Botânico, no Distrito Federal.

Declarações do parlamentar antes do embarque

Em vídeo divulgado na véspera da viagem, o parlamentar garantiu que permaneceria no país e classificou a determinação judicial como perseguição. Flávio afirmou que nunca cogitou viajar e que pretendia se defender do que chamou de “aberração, que é uma clara tentativa de me intimidar”.

Na gravação, o congressista declarou: “nunca pensei em sair do país. Vou entregar meus passaportes e vou me defender dessa aberração, que é uma clara tentativa de me intimidar. Mas ninguém vai me calar”. Flávio também assegurou a intenção de liderar a oposição política no Brasil e criticou a atuação da Polícia Federal e de Alexandre de Moraes.

O senador argumentou que a ordem judicial teve base em falas de seu irmão, Eduardo Bolsonaro. Em 23 de outubro, Eduardo sugeriu a saída do parlamentar do país caso perdesse o pleito para não enfrentar apurações após o fim da imunidade parlamentar. Diante disso, Flávio questionou: “Eu nunca falei isso. Isso é motivo para tirar meu passaporte? Isso é Justiça?”.