Brasil
Estupros de vulnerável crescem no Brasil, com impactos graves à saúde mental das vítimas
A reportagem da Super Rádio Tupi conversou uma especialista que falou sobre as consequências dos abusos sexuais nas vítimas
Dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública indicam crescimento nos registros de estupro, com predominância de vítimas menores de 14 anos.
Em 2024, foram registrados mais de 87.500 casos de estupro e estupro de vulnerável no país, representando aumento de 6,7% em relação ao ano anterior. O estupro de vulnerável é a prática do ato sexual com menor de 14 anos ou pessoa que, por enfermidade ou deficiência mental, não possua capacidade de consentimento.
No Brasil, a violência sexual atinge predominantemente mulheres e meninas, evidenciando desigualdades estruturais de gênero. As mulheres corresponderam a 87,7% das vítimas, sendo que 77% tinham menos de 14 anos.
A psiquiatra do Hospital Quali Ipanema, Camila Espínola, fala sobre as consequências que os abusos sexuais têm na saúde mental das vítimas.
“No consultório de psiquiatria, tem sido cada vez mais comum atender mulheres entre 40 e 47 anos que, na vida adulta, reconhecem abusos sexuais sofridos na infância, muitas vezes cometidos por familiares ou pessoas próximas da família. Esses traumas costumam evoluir para quadros de depressão resistente e transtorno de estresse pós-traumático, com ideação suicida. Algumas já tinham consciência do que viveram; outras só elaboram isso mais tarde. Também é frequente surgirem dificuldades nas relações afetivas, aversão a homens, pesadelos recorrentes e problemas de vínculo. O impacto é profundo e pode atravessar gerações, afetando a forma como essas mulheres se relacionam e constroem suas vidas”.
Camila aborda também as características psicológicas dos agressores.
“Também temos observado um aumento no número de pessoas que chegam ao consultório de psiquiatria em busca de avaliação para transtornos de personalidade. Em muitos desses casos, percebe-se que agressores e abusadores apresentam características e critérios compatíveis com esse tipo de transtorno. Isso indica que, em algumas situações, esses comportamentos podem estar associados a padrões persistentes de funcionamento psicológico marcados por traços disfuncionais de personalidade”.
A violência sexual contra mulheres vulneráveis exige respostas com ênfase na prevenção, acolhimento psicológico e fortalecimento das políticas públicas de proteção.
O estupro de vulnerável permanece como grave problema estrutural no Brasil, e, segundo dados atualizados até 2025, há crescimento dos registros de casos em ambiente doméstico.
Polícia Civil realiza operação de combate à violência contra a mulher
O Dia Internacional da Mulher representa oportunidade de mobilização social e institucional para fortalecer políticas públicas de proteção, prevenção e cuidado integral às vítimas.
Neste mês, a Polícia Civil do Rio realiza uma operação especial de combate à violência contra a mulher em todo o estado.
As equipes seguem mobilizadas para localizar e prender criminosos por crimes de violência de gênero, e promovem também ações de conscientização sobre a importância da denúncia. Vítimas de violência em todo o país podem pedir ajuda procurando uma delegacia, a Ronda Maria da Penha ou pelo telefone 180.