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Falar sozinho enquanto faz tarefas domésticas pode ser um truque mental poderoso, dizem psicólogos

Sua voz pode ser a ferramenta de foco que faltava

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Conversar consigo mesma enquanto faz as tarefas domésticas é mais comum do que parece
Conversar consigo mesma enquanto faz as tarefas domésticas é mais comum do que parece

Se você se pega narrando o que está fazendo, dando pequenas ordens para si mesmo ou até comentando a bagunça da casa, respira: isso é mais comum do que parece e, em muitos casos, útil. Para a psicologia, essa fala em voz alta pode funcionar como um atalho para organizar o pensamento, regular emoções e manter o foco quando a mente quer fugir para mil lugares.

Falar sozinho durante tarefas domésticas é normal?

Sim. falar sozinho durante atividades repetitivas, como lavar louça, dobrar roupas ou varrer o chão, costuma aparecer quando o cérebro está tentando coordenar atenção, tempo e prioridade. É como se a sua voz virasse um “controle remoto” para manter você no rumo certo.

Em vez de ser sinal de “loucura”, esse comportamento muitas vezes é apenas linguagem a serviço da ação. Quando a rotina tem distrações, cansaço ou pressa, verbalizar ajuda a criar um trilho mental mais estável.

Esse é um hábito muito comum, que muitos fazem durante a limpeza da casa - Créditos: depositphotos.com / AlexShadyuk
Esse é um hábito muito comum, que muitos fazem durante a limpeza da casa – Créditos: depositphotos.com / AlexShadyuk

O que acontece no cérebro quando você conversa consigo mesmo?

Quando você conversar consigo mesmo, transforma pensamentos soltos em frases com começo, meio e fim. Isso costuma reduzir a sensação de caos mental, porque ideias ganham ordem, ritmo e direção. Na psicologia cognitiva, isso é visto como um jeito prático de guiar a própria atenção.

Um estudo clássico com busca visual observou que falar o nome do que você procura pode deixar a procura mais rápida e eficiente. Em tarefas domésticas, o princípio é parecido: nomear etapas, itens e prioridades ajuda seu cérebro a “enxergar” melhor o que precisa ser feito.

Quais são os benefícios cognitivos de falar consigo mesmo?

O ganho mais imediato é na organização do pensamento. Frases curtas funcionam como pistas internas, reforçando autoinstruções do tipo “primeiro isso, depois aquilo”. Isso pode aliviar a carga da memória de trabalho, porque parte do plano sai da cabeça e vai para a fala.

Também melhora a atenção sustentada. Ao verbalizar, você corta o piloto automático e mantém o cérebro “acordado” na tarefa. Na prática, isso pode apoiar funções executivas como planejamento, inibição de distrações e tomada de decisão rápida.

Benefícios de falar sozinho e frases que ajudam de verdade

Para ficar bem visual, aqui vai um infográfico em formato de cards com os principais ganhos e algumas frases curtas que psicólogos costumam recomendar como “fala funcional”, aquela que direciona sem se atacar.

🧠 Foco e clareza

Você cria um roteiro simples e diminui o “branco” na hora de decidir o próximo passo.

😮‍💨 Emoções no lugar

A fala ajuda na regulação emocional e pode trazer sensação de controle em dias difíceis.

✅ Motivação realista

autofala positiva não é “autoengano”, é trocar crítica por orientação útil.

🗣️ Frases que funcionam

“Uma coisa por vez.” “Só mais 5 minutos.” “O próximo passo é simples.” “Eu consigo terminar isso.”

Quando essas frases são gentis e direcionadas, elas tendem a apoiar a redução do estresse, porque tiram o peso de “resolver a vida toda” e colocam foco no próximo gesto possível.

O Dr. Drauzio Varella explica, em seu canal do TikTok, sobre esse hábito muito comum entre as pessoas:

@portaldrauziovarella E você, tem costume de falar sozinho? 👀 #drauziovarella #falarsozinho ♬ som original – Portal Drauzio

Quando falar sozinho ajuda e quando pode ser um sinal de alerta?

Na maioria dos casos, é só um recurso de organização. Vira alerta quando a fala vem com sofrimento intenso, perda de controle, confusão frequente com a realidade ou quando você se sente ameaçado por pensamentos. Nesses cenários, vale conversar com um profissional.

Se o objetivo é usar isso a seu favor no dia a dia, o caminho é deixar a fala mais prática e menos punitiva. Antes da lista, pense assim: você não precisa se “cobrar melhor”, e sim se orientar melhor.

  • Use frases curtas de ação: “agora é o banheiro”, “depois é a cozinha”.
  • Troque julgamento por direção: “lento” vira “calma, segue o passo”.
  • Fale o próximo passo, não o resultado perfeito.
  • Quando travar, nomeie o que atrapalha: “estou distraído”, e retome.
  • Se bater ansiedade, teste falar de si na terceira pessoa para ganhar distância.
  • Finalize com um fechamento simples: “feito, agora descanso”.