Eleições
Flávio Bolsonaro condiciona entrega de sigilos à análise de documentos de Lula
Com apoio de Deltan Dallagnol e Sergio Moro, equipe jurídica quer checar transparência de documentos antes de liberar papelada ao público
A equipe jurídica do senador e candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL), decidiu analisar os documentos sobre quebras de sigilo entregues pela campanha de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) antes de liberar em definitivo os próprios papéis. A entrega do material petista ocorreu no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) no final da manhã desta quinta-feira (22).
O objetivo é conferir se a campanha adversária cumpriu o acordo firmado em desafios públicos recentes. Os advogados Maria Cláudia Bucchianeri e Tracy Reinaldet conduzem a checagem ao lado do senador eleito Deltan Dallagnol (Novo-PR). O senador Sergio Moro (PL-PR) também foi cotado para colaborar à distância.
Checagem e exigências técnicas
Deltan Dallagnol declarou que foi escalado para verificar a completude das informações, com foco em registros do Instituto Lula e de aliados históricos. O senador eleito afirmou que a checagem busca identificar indícios de enriquecimento ilícito e ocultação patrimonial: “a história de Lula precisa ser resgatada por meio desses documentos”.
A advogada Maria Claudia Bucchianeri reforçou a necessidade de transparência real. Segundo a defensora, a campanha de Flávio entregará os dados solicitados rapidamente se Lula cumprir integralmente o combinado.
Em reunião matinal na Corte, os dois grupos acertaram a abertura total e simultânea dos sigilos, com publicação em página de acesso público na internet.
O embate ganhou força a três dias do segundo turno da eleição presidencial. Lula propôs o desafio durante debate na “Band”, no domingo (18). O petista autorizou o envio ao TSE e ao Supremo Tribunal Federal (STF) dos sigilos bancário, fiscal e telefônico próprios e de familiares relativos aos últimos oito anos.
Flávio protocolou resposta ao ministro André Mendonça na quarta-feira, classificando a proposta inicial como gaveta vazia. O candidato liberou os dados dos últimos 20 anos, registros de empresas sob sua administração e conversas com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, apresentando uma lista de contrapartidas:
Quebra de sigilos bancário, fiscal, telefônico e telemático de Marco Aurélio Santana Ribeiro, ex-chefe de gabinete de Lula.
Documentação sobre conexões governamentais com Daniel Vorcaro e com a lobista Roberta Luchsinger.
Extratos do cartão corporativo da Presidência desde 2023.
Agenda de Janja anterior a fevereiro de 2025.
Registros de despesas do Palácio da Alvorada, uso de helicópteros e visitas dos filhos do presidente.
O senador Camilo Santana (PT-CE) afirmou que o presidente aceitará todas as exigências apresentadas, desde que Flávio cumpra sua parte no acordo.