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Luto, pressão e depressão: jogador abre o coração sobre drama vivido nos bastidores
Zagueiro francês contou que enfrentou um período de sofrimento emocional profundo enquanto seguia atuando pelo Liverpool e destacou a importância de falar sobre saúde mental no futebol.
O zagueiro francês Ibrahima Konaté revelou que enfrentou um quadro de depressão após perder o pai e o ex-companheiro de Liverpool, Diogo Jota, em um intervalo de poucos meses. Em entrevista à rádio France Inter, o defensor afirmou que o sofrimento emocional impactou profundamente sua vida pessoal e profissional.
“Existem momentos muito difíceis, existe depressão. Também é possível sofrer de depressão no futebol, e não há motivo para ter vergonha de dizer isso”, declarou o jogador.
Konaté contou que a morte de Diogo Jota, em julho do ano passado, foi um dos momentos mais dolorosos de sua vida. O atacante português e seu irmão, Andre Silva, morreram em um acidente de carro, deixando familiares, amigos e companheiros de equipe em choque.
“Isso me destruiu. Naquele momento, eu não tinha interesse por mais nada”, afirmou o defensor francês.
Poucos meses depois, Konaté enfrentou outra perda devastadora com a morte de seu pai, Hamady, que lutava contra uma longa doença. O jogador revelou que viveu um período de conflito interno ao tentar conciliar o luto com as responsabilidades profissionais.

“Eu não sabia o que fazer. Não sabia se deveria voltar para casa e parar de jogar, porque o time também precisava de mim”, disse.
Segundo o atleta, o retorno aos gramados aconteceu rapidamente devido aos compromissos do clube. Ele destacou que jogadores profissionais também enfrentam dificuldades emocionais, embora muitas vezes precisem continuar atuando diante das cobranças da carreira.
“Voltamos ao futebol porque não tínhamos escolha. Somos funcionários de um clube que nos paga todos os meses e temos responsabilidades. Tivemos que voltar a jogar por ele, pela família dele e por nós mesmos”, explicou.
Após a morte do pai, Konaté retornou antes do previsto de sua licença para ajudar o Liverpool, que enfrentava problemas com lesões no elenco. No entanto, admitiu que não teve tempo suficiente para processar emocionalmente as perdas.
“Nunca houve um momento em que senti que estava melhorando. Tudo aconteceu muito rápido e, quando parecia que eu estava conseguindo respirar novamente, algo mais acontecia”, relatou.
Com 27 partidas disputadas pela seleção francesa, Konaté segue como uma das peças importantes do elenco comandado por Didier Deschamps e está entre os convocados para a disputa da Copa do Mundo. Sua declaração também reforça o debate sobre saúde mental no esporte de alto rendimento, tema que tem ganhado cada vez mais espaço entre atletas e entidades esportivas.