Ciência e Saúde

Psicóloga fala sobre transtorno de ‘Borderline’

"É um misto de compreender a si mesmo como um ser único, com fronteiras claras entre si e o outro, saber o próprio valor", explica a doutora Maria Rafart

Por Victor Yemba

Psicóloga Maria Rafart fala do transtorno de Borderline (Divulgação)
Psicóloga Maria Rafart fala do transtorno de Borderline (Divulgação)

Todos nós temos nossa personalidade, e para a Psicologia, possuir uma personalidade íntegra quer dizer que interagimos de forma saudável com quem nós somos e com o mundo ao redor. É um misto de compreender a si mesmo como um ser único, com fronteiras claras entre si e o outro, saber o próprio valor, direcionar-se com seus objetivos de curto prazo com coerência, junto com a compreensão de quem é o outro, apreciar as experiências alheias e ter vínculos saudáveis com terceiros.

Basicamente, um ser mentalmente saudável sabe quem é, respeita, e também respeita quem os outros são.

A personalidade de um indivíduo está na sua raiz, no seu íntimo, e mostra a forma como ele interage consigo mesmo (o “self”), e como interage com o mundo ao redor.

Um transtorno de personalidade ocorre quando há prejuízos no funcionamento dessa personalidade, daí a palavra “transtorno”. Pode haver uma disfunção nessa interação consigo mesmo e com o mundo. Podem acontecer problemas com a própria identidade e com o direcionamento da própria vida. Podem acontecer interações pouco saudáveis com os outros, como excessiva dependência, rejeição ou pobreza de vínculos afetivos.

Os critérios para este diagnóstico devem ser muito bem observados por profissionais da Psicologia e Psiquiatria, para que não haja confusão com os transtornos que uso de substância causam, ou confusão com a fragilidade típica do período da adolescência, por exemplo.

O Transtorno de Personalidade Borderline tem as seguintes características: você encontra uma pessoa que tem uma autoimagem muito instável (ou seja, ela oscila muito entre “se achar” ou se sentir a pior das pessoas); pode ser instável também em seus objetivos, o que a transforma naquela pessoa “que não sabe o que quer”, ou “que muda de plano como quem muda de roupa”.

O Borderline pode se relacionar também de forma instável, ora amando, ora odiando, ora sentindo-se desvalorizado, ora carente e implorando por atenção.

A cereja do bolo do transtorno de personalidade borderline é a sua impulsividade: a pessoa pode se expor a riscos dos mais variados, ser hostil demais, e ser muito explosiva.

É como se a pessoa não fosse muito “adaptada” ao mundo. Daí o termo “border”, que quer dizer limite, fronteira. O borderline oscila entre o mundo real e um mundo imaginário muito persecutório. Pode sentir uma sensação de grande vazio interior. Pode ainda ter explosões de estresse se se sentir provocada ou injustiçada. Pode mudar de opinião e direcionamento profissional com muita frequência, o que causa mais frustração ainda, em fases cíclicas.

O borderline não entende muito o outro, pois na maior parte das vezes está preocupado com as injustiças que ele acha que o outro comete. É uma pessoa que implora por carinho, às vezes de um jeito brusco. Quando não consegue o que quer, entra em grande conflito. A carência do borderline faz com que ele tenha medo de ser abandonado, e esteja sempre prevendo o pior nos seus relacionamentos. Causa tanto estresse com isso, que os relacionamentos realmente acabam, pela sua própria insegurança de separação.

Os sentimentos de raiva são mal processados pelo borderline, e ele pode ser muito hostil e facilmente irritável.

Há prováveis causas genéticas que podem ser acentuadas pelo comportamento, e por isso, a indicação e de acompanhamento psiquiátrico para medicação adequada a alguns sintomas, como ansiedade, e terapia, onde o paciente pode trabalhar melhor a sua tolerância à frustração e a sua noção de realidade.



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