Relatório alerta graves problemas na segurança pública do país - Super Rádio Tupi
Conecte-se conosco
x

Rio

Relatório alerta graves problemas na segurança pública do país

O dado indica que cerca de 68 milhões de pessoas convivem diretamente com o poder territorial exercido por essas organizações

Publicado

em

Compartilhe
google-news-logo
Fuzis apreendidos pela Polícia Militar em 2025. Foto: Reprodução

Um relatório recém-divulgado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública aponta um dado preocupante no país: 41 porcento dos brasileiros com 16 anos ou mais reconhecem a presença de grupos criminosos organizados, como facções ou milícias, no bairro onde residem.

Embora a percepção da presença desses grupos seja mais acentuada nas capitais, com 56 por cento, o fenômeno também é sentido em outras cidades.

O dado indica que cerca de 68 milhões de pessoas convivem diretamente com o poder territorial exercido por essas organizações.

O especialista em segurança pública, Paulo Storani, explica o principal fator da busca dos criminosos de outros estados por abrigo na cidade do Rio.

“O controle territorial exercido por essas organizações criminosas, sejam traficantes ou milicianos, já repercute em todo o Brasil como um modelo de atuação. Vale lembrar que esses grupos criam suas próprias regras, delimitam territórios, controlam acessos e impõem uma espécie de legislação paralela. Além disso, realizam julgamentos e punem quem descumpre as normas estabelecidas dentro dessas áreas. Na prática, criou-se um Estado paralelo dentro do próprio Estado. A lei antifacção surge como uma alternativa diante desse cenário, e a expectativa é de que seja implementada o mais rápido possível. No entanto, os efeitos concretos dessa medida devem aparecer apenas a médio e longo prazo”.

O jornalista e comunicador do Jornal da Tupi, Sidney Rezende, faz uma leitura deste cenário.

“Muitos traficantes e criminosos de diferentes regiões do país têm vindo ao Rio de Janeiro para entender como funciona a dinâmica do crime organizado. Segundo especialistas, facções como o Comando Vermelho, o PCC e outros grupos acabam disseminando um modelo de atuação, quase como uma espécie de ‘franquia’ criminosa. Por isso, integrantes de organizações criminosas, principalmente do Nordeste, estariam se escondendo no Rio em busca desse aprendizado. Em troca, pagam por proteção, segurança e também por esse intercâmbio de conhecimento sobre como aplicar, em seus estados e capitais, estratégias utilizadas pelas facções cariocas. Diante desse cenário, especialistas defendem que é necessário interromper essa articulação entre os grupos criminosos, com atuação integrada das forças de segurança também no âmbito federal”.

O relatório mostra, ainda, que morar em um território com presença do crime organizado impacta na probabilidade de ser vítima de violência. Enquanto a média nacional de vitimização é de 40 por cento, nos bairros dominados por facções esse índice sobe para 51 por cento.