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Sargento da PM que matou esposa com 51 facadas em clínica pega 123 anos de prisão

Decisão da Justiça decreta perda de cargo do militar e estabelece indenizações à família; réu atacou as vítimas em consultório médico no litoral

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Um casal sorridente, de óculos escuros, formando um coração com as mãos, com estátuas de esquilos
Amanda Carvalho, vítima de feminicídio, em um momento de alegria em família, como os que compartilhava nas redes. Foto: Reprodução

O sargento da Polícia Militar Samir Carvalho recebeu a condenação de 123 anos e quatro meses de prisão pelo assassinato da esposa, Amanda Carvalho, e pela tentativa de homicídio da filha, de 10 anos. O crime ocorreu dentro de um consultório dermatológico em Santos, no litoral de São Paulo.

A vítima morreu atingida por 51 facadas e disparos de arma de fogo. O julgamento começou em uma quarta-feira, 14 de outubro, e durou dois dias no Fórum de Santos, reunindo 13 testemunhas e o interrogatório do réu.

Penas e reparações fixadas pelo tribunal

A pena imposta pelo Tribunal de Justiça de São Paulo estabelece 90 anos de reclusão pelo feminicídio e 33 anos e quatro meses pela tentativa de homicídio contra a criança. Samir perdeu o cargo de 3º sargento e o poder familiar sobre a filha.

A sentença determinou o pagamento de reparações por danos morais com juros e correção monetária. O réu terá de pagar R$ 100 mil aos herdeiros da mulher e R$ 50 mil à menina baleada. Ele permanece detido desde maio de 2025 no Presídio Militar Romão Gomes.

Histórico da vítima

Amanda era empresária, mãe de três filhos e atleta de vôlei. Ela criou um time misto da modalidade na empresa em que atuava como sócia. Em postagens na internet, compartilhava viagens e momentos em família, citando as crianças como a prioridade de sua vida. A equipe esportiva publicou uma nota lamentando a morte da integrante.

Ataque dentro do consultório

Mãe e filha chegaram à clínica em 7 de maio de 2025, com postura descrita em boletim de ocorrência como “aparentando um comportamento calmo”. Samir apareceu logo depois. Amanda avisou os funcionários da recepção sobre as ameaças do marido e informou que ele portava arma de fogo.

Para escapar do agressor, a vítima se refugiou na sala médica. O dermatologista trancou o acesso e colocou cadeiras na porta para conter a entrada, enquanto uma funcionária telefonava pedindo ajuda.

Dois policiais militares chegaram ao local e abordaram Samir no corredor. Os agentes pediram que o sargento erguesse a blusa e, ao avaliarem que ele não carregava armamento, mandaram o médico destravar o cômodo.

O agressor buscou uma arma guardada em uma sala vizinha e atirou pelo menos dez vezes, além de desferir dezenas de golpes de faca contra Amanda. Os policiais militares desciam do prédio quando ouviram os tiros, retornaram ao consultório e efetuaram a prisão em flagrante. Um inquérito interno da corporação apura a postura dos dois agentes “rigorosamente”.