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Síndrome do impostor não é falta de confiança e sim excesso de autoconsciência
Dúvida nem sempre é fraqueza
A síndrome do impostor costuma ser tratada como insegurança, baixa autoestima ou simples falta de confiança. Essa leitura, porém, é rasa e muitas vezes injusta. Na prática, quem vive esse fenômeno não se sente incapaz. O que existe é um excesso de percepção, análise constante e um nível de autoconsciência muito acima da média.
Por que quem tem síndrome do impostor geralmente sabe exatamente o que está fazendo?
Ao contrário do senso comum, pessoas com síndrome do impostor costumam ser competentes, responsáveis e extremamente comprometidas. Elas estudam, se preparam, revisam detalhes e assumem responsabilidades que outros evitam.
O conflito surge porque essas pessoas têm autoconsciência elevada. Elas conhecem seus limites, percebem nuances invisíveis para os outros e entendem a complexidade do que fazem. Quanto maior essa percepção, maior a sensação de que ainda falta algo.

Por que quanto mais conhecimento existe menos certeza absoluta aparece?
Existe um paradoxo silencioso muito estudado na psicologia: quem sabe pouco tende a superestimar suas habilidades, enquanto quem sabe mais costuma duvidar delas. Esse fenômeno está ligado ao efeito Dunning-Kruger.
Na síndrome do impostor, o pensamento não é “sou incapaz”, mas sim “será que eu realmente mereço estar aqui?”. A dúvida nasce da consciência de que não existe controle total nem domínio absoluto.
Como a autoconsciência em excesso vira vigilância interna constante?
O impostor interno funciona como um fiscal permanente. Ele observa cada erro, cada hesitação, cada detalhe que poderia ter sido melhor. Nada passa despercebido.
Enquanto algumas pessoas se apoiam em resultados externos, quem sofre com autojulgamento constante vive preso a uma análise interna contínua. Essa vigilância mental cansa, drena energia e cria a sensação de nunca estar pronto.
Por que esperar confiança antes de agir reforça a síndrome do impostor?
Um erro comum é acreditar que a confiança precisa vir antes da ação. Na realidade, a confiança nasce depois, com repetição, exposição e permanência.
Pessoas com alta autoconsciência tendem a esperar segurança total para falar, se posicionar ou assumir protagonismo. O problema é que esse estado ideal raramente chega, o que reforça o medo de não ser suficiente.
O Dr. Rafael Gratta explica, em seu TikTok, como a síndrome de impostor afeta nossa mente:
@rafaelgrattap A síndrome do impostor é mais uma das peças que seu cérebro pode pregar em você. Treine observar isso e ver a incompatibilidade com o seu trabalho e reconhecimento, que tende a ser melhor em pessoas que sofrem disso. E lembre-se, você pode desapegar disso pra fazer um bom trabalho, não precisa se martelar dessa forma. MFMA 🙏🏽 #neurociência #ansiedade #saúdemental ♬ som original – Rafael Gratta
Síndrome do impostor é fragilidade emocional ou sensibilidade cognitiva?
Pensar demais não é defeito. O problema surge quando reflexão não vem acompanhada de autocompaixão. A pessoa entende tudo, menos que errar, aprender e continuar faz parte do processo.
O caminho não é acreditar mais em si, mas se vigiar menos. Competência não exige perfeição nem certeza absoluta. Gente preparada segue mesmo com dúvidas, porque entende que dúvida também é sinal de consciência.
Alguns sinais comuns desse padrão incluem:
- Dificuldade em internalizar conquistas e elogios.
- Sensação constante de que será “descoberto” em algum momento.
- Excesso de preparo para tarefas que já domina.
- Comparação interna constante com os outros.
No fim, talvez o verdadeiro impostor não seja quem questiona demais, mas quem nunca questiona nada.